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França começa a colher DNA para identificação das vítimas

Parentes reunidos no Centro de Crise realizaram coleta; momento é de 'horror', diz chefe de 10 pessoas mortas

Andrei Netto, correspondente de O Estado de S. Paulo,

02 de junho de 2009 | 19h35

Amostras de DNA começaram a ser colhidas nesta terça-feira, 2, de familiares dos 228 passageiros desaparecidos na queda do voo AF 447, entre o Rio de Janeiro e Paris, que recebem atendimento no Centro de Crise montado pelo governo francês em Roissy, nas imediações da capital. A confirmação foi feita nesta terça-feira, 2, pela Associação de Vítimas do Terrorismo, uma organização não-governamental (ONG) criada após o atentado contra o voo 772 da companhia UTA, na Nigéria, em 1989.

 

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Guillaume Denoix de Saint-Marc, porta-voz da ONG, a coleta começou a ser feita por autoridades do serviço de identificação de vítimas da polícia científica francesa. "Se encontrarmos restos, estes testes permitirão identificá-los mais rápido", explicou. Saint-Marc foi uma das poucas pessoas a receber autorização para ingressar, ontem, no hotel Pullman de Roissy, onde os parentes recebem informações, além de atendimento médico, psicológico e jurídico. "Todos ainda têm esperanças de encontrar sobreviventes", reiterou.

 

Entre os atendidos no Centro de Crise estão familiares dos 10 funcionários da companhia CGE Distribution desaparecidos depois de terem recebido viagens ao Brasil como bonificação pelas boas vendas. Os colaboradores da empresa formam o maior grupo de conhecidos reunido no voo AF 447. "Premiamos nove vendedores, assim como um acompanhante de cada, e um executivo da empresa com viagens de dois e quatro dias ao Rio de Janeiro", confirmou ao Estado o diretor-geral da empresa, Laurent Bouveresse. "Recebemos a informação com choque, incompreensão e trauma."

 

Segundo Bouveresse, um centro de crise privado foi organizado pela empresa em Montreuil, nos arredores de Paris, para servir de interlocutor entre os familiares e o governo francês. "O que estamos vivendo é o horror. É algo que não se pode descrever por palavras", diz o executivo. "Tenho profunda admiração pelos colegas que estão indo ao encontro dos familiares para prestar solidariedade neste momento tão duro. Nem todos têm essa força."

 

Christophe Campaud, cunhado de um dos funcionários da CGE desaparecidos, foi um dos poucos localizados ontem pela imprensa francesa. "Tudo o que queremos é compreender o que aconteceu", disse à rede de TV I-Télé.

 

O atendimento médico e psiquiátrico segue sendo prestado pelo governo francês em Roissy. Segundo Didier Cremniter, psiquiatra e diretor do Centro de Crise, a célula de apoio tem importância simbólica e também marca uma nova fase no luto dos familiares. "Nessas circunstâncias, é importante que as pessoas se encontrem e discutam sobre os acontecimentos e o que sentem a respeito", diz Cremniter, médico que tem como experiência a tragédia aérea do voo 4590, com um Concorde, ocorrido em Gonesse, próximo a Roissy, em 25 de julho de 2000.

 

Além das reuniões, o reconhecimento coletivo do drama, explica Cremniter, faz parte do preparo do luto pelos familiares, em especial na ausência dos corpos das vítimas.

 

Apesar disso, o governo e a companhia aérea seguem blindando os parentes do contato com a imprensa. Em comunicado, distribuído ontem, a Air France apelou: "Pedimos aos jornalistas, em especial da mídia eletrônica, que respeitem o luto das famílias das vítimas atualmente recolhidas nos hotéis de Paris-Charles de Gaulle".

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