França decide não resgatar corpos muito deteriorados de vítimas do 447

Há cinco dias, polícia francesa havia informado que todos os corpos e objeto pessoas seriam recuperados

Andrei Netto, correspondente de O Estado de S. Paulo,

10 de maio de 2011 | 16h52

PARIS - A Justiça da França enviou carta aos familiares das 228 vítimas do voo AF-447, acidentado no oceano Atlântico há dois anos, afirmando que decidiu não resgatar os corpos muito deteriorados em razão do desastre. A determinação desmente a informação divulgada na semana passada pela Gendarmerie Nationale, a polícia militar do país, que havia publicado nota oficial afirmando que todos os corpos que se pudesse resgatar seriam recuperados do fundo do mar.

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A correspondência foi assinada pelos juízes de instrução Sylvie Zimmerman e Yann Daurelle, do Ministério Público de Paris. "Para preservar a dignidade e o respeito das infelizes vítimas e dos que os choram, nós tomamos a decisão de não resgatar os restos alterados demais", diz a carta. O documento diz ainda que "ao contrario de algumas declarações públicas", "os restos mortais que se localizam no fundo estão inevitavelmente em um estado degradado, em razão do choque particularmente violento, do tempo passado e do ambiente em torno".

Há cinco dias, a Direção Geral de Gendarmerie Nationale (DGGN) havia divulgado nota informando que novos especialistas seriam enviados ao Atlântico para trabalhar no resgate de todos os corpos que pudessem ser recuperados. "Uma dúzia de especialistas da Gendarmerie procederá, então, durante cerca de 15 dias, o resgate de todos os corpos e objetos pessoais que poderão ser recuperados."

Até o momento, dois corpos foram resgatados dentre os destroços do Airbus A-330 da Air France. Segundo os juízes, os cadáveres coletados têm estados de conservação diferentes, "a fim de verificar se a identificação é ou não realizável". Amostras de DNA foram coletadas e estão a caminho de Caiena, capital da Guiana Francesa, antes de serem transferidas para Paris, junto das caixas-pretas do voo AF-447. A partir de amanhã, exames laboratoriais serão realizados para descobrir se será possível identificar as vítimas.

Ainda conforme a correspondência, o processo de transporte até a superfície também danifica os corpos. "Em consequência, nós só procederemos o resgate das vítimas que possamos decentemente entregar às famílias, desde que possam ser identificadas", alegam Sylvie Zimmerman e Yann Daurelle. Os juízes ainda lamentam a impossibilidade de "tomar uma decisão que encontraria acordo no conjunto de famílias francesas e estrangeiras".

Em Paris para participar de uma reunião ministerial do G-8, o ministro da Justiça do Brasil, José Eduardo Cardozo, encontrou-se hoje com o seu homólogo da França, Michel Mercier. Na conversa, ambos debateram o desenrolar das investigações sobre o acidente do voo AF-447. Apesar das idas e vindas das autoridades francesas, Cardozo se mostrou satisfeito com o grau de transparência da apuração, conduzida pelo Escritório de Investigações e Análises para a Aviação Civil (BEA). "Nós nos colocamos à disposição da França nesse assunto", afirmou o ministro brasileiro. "A verdade se colocará. Não há por que termos suspeitas."

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