França desmente localização de caixas-pretas do Voo 447

Sem citar fontes, jornal 'Le Monde' afirma que Marinha francesa havia detectado sinal fraco das caixas-pretas

23 de junho de 2009 | 11h50

O Escritório de Investigação e Análise (BEA) da França, encarregado de esclarecer o acidente com o Voo 447 da Air France, desmentiu a informação do jornal "Le Monde" de que a Marinha francesa havia detectado um "sinal muito fraco" das caixas-pretas do Airbus que caiu no Atlântico.

 

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Segundo um breve comunicado do BEA, até o momento não foi possível confirmar nenhum sinal emitido pelos dispositivos. A nota diz ainda que todos os ruídos detectados são analisados para que não haja qualquer dúvida e que toda informação será divulgada assim que verificada.

 

Em declarações à emissora "Europa 1", Philippe Guillemet, comandante do navio francês "Pourquoi Pas", que coordena as buscas relacionadas ao acidente, também disse que é falsa a notícia de que as caixas-pretas foram localizadas.

 

"Foram detectados sinais acústicos, mas não há nada verificado, infelizmente", afirmou Guillemet, que acrescentou que as investigações e as buscas continuam.

 

O porta-voz do Estado Maior das Forças Armadas da França, comandante Christophe Prazuck, disse que vários sinais sonoros semelhantes aos emitidos pelas balizas das caixas pretas dos aviões foram detectados pela Marinha francesa nos últimos dias. "As caixas pretas não foram achadas. Elas não foram localizadas. Seguimos buscando as caixas pretas", disse Prazuck para a Associated Press.

Segundo ele, os sinais foram captados em áreas distintas das regiões de buscas e são sempre "fracos". "Os sinais podem ser, às vezes, até de uma baleia equipada com algum tipo de emissor sonoro. Quando captamos os sinais, nunca estamos certos de que eles podem pertencer às caixas-pretas. Só podemos saber isso após análises mais aprofundadas", diz ele.

 

O jornal "Le Monde" publicou nesta terça-feira, 23, sem citar fontes, que o submarino "Nautile" mergulhou na segunda-feira para tentar recuperar as caixas-pretas do Voo 447, consideradas essenciais ao esclarecimento das causas do acidente.

 

"As buscas foram dificultadas" pelo relevo da região, onde a profundidade do mar chega a cinco mil metros, escreveu a publicação. De acordo com o jornal, as caixas-pretas "ainda têm autonomia para oito dias". Depois deste prazo, os dispositivos deixarão de emitir sinais.

 

Buscas

 

As balizas das caixas-pretas, que têm o tamanho de uma pilha grande, emitem sinais sonoros em um raio de apenas dois quilômetros. A França dispõe de quatro navios na área de buscas, entre eles o submarino Émeraude, equipado com potentes sonares, que vem patrulhando a região desde o dia 10 de junho.

 

Os sinais das balizas são emitidos por no mínimo 30 dias, de acordo com o BEA. Como esse é o prazo tido como certo para que as balizas continuem emitindo os sinais, as autoridades francesas preferem considerar que dispõem de 30 dias para poder captar os sinais e tentar localizar as caixas-pretas.

 

Como o avião desapareceu no final da noite de 31 de maio, as balizas continuarão certamente emitindo sinais até o final deste mês. Após essa data, não é garantido que os sinais ainda sejam emitidos.

 

Vítimas

 

A causa da morte de 3 das 50 vítimas do voo 447 da Air France que tiveram os corpos resgatados na operação de buscas foi politraumatismo. Isso significa que as três vítimas - uma mulher e dois homens, todos brasileiros - sofreram lesões traumáticas provocadas por forte impacto. A informação foi dada na segunda-feira pelo médico José Calvo, chefe de equipe da empresa paulista Aespe (Atendimento Especial ao Esquife), contratada por uma seguradora da Air France para o embalsamamento dos corpos. O trabalho está sendo realizado no Cemitério e Funerária Morada da Paz, no município metropolitano de Paulista.

 

A força-tarefa que atua no Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife só vai pronunciar-se oficialmente sobre as causas dos óbitos ao término das necropsias nos 50 corpos resgatados, o que deve ocorrer até o fim deste mês. Calvo destacou, porém, que não se pode deduzir a causa do acidente com base nas mortes dessas três vítimas. Elas estão entre as 11 primeiras identificadas pela força-tarefa.

 

Os corpos só são encaminhados ao Morada da Paz quando há liberação do IML, mediante assinatura de atestado de óbito por familiares ou representantes legais. Até a noite de segunda-feira, nenhum outro dos corpos identificados havia chegado para embalsamamento. Parentes de uma das vítimas estiveram no Morada da Paz. Um deles quis ver o corpo, mesmo tendo conhecimento do seu estado. Ele se mostrou visivelmente abatido depois de ter a vontade realizada.

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