França envia aeronave e submarino nuclear para buscas

Área das buscas tem previsão de pancadas de chuvas e trovoadas; visibilidade é reduzida para 4 mil metros

Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo e Reuters,

05 de junho de 2009 | 14h14

O Comando da Aeronáutica acaba de divulgar o primeiro boletim do dia e o décimo terceiro, desde o início dos trabalhos de busca dos destroços do voo 447 da Air France, que caiu nas proximidades de Fernando de Noronha, na noite do último domingo. A nota afirma que nesta sexta-feira, 5, uma aeronave francesa chamada Atlantic Rescued passou a integrar o conjunto de aeronaves que estão engajadas nos esforços de busca. Além disso, a Dow Jones informa que a França também enviará um submarino nuclear para ajudar nas buscas pelo avião, segundo o ministro da Defesa francês, Hervé Morin. "Graças a esse equipamento de monitoramento, isso pode nos ajudar a achar as caixas pretas", afirmou ele.

 

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A nota acrescenta que na área onde estão sendo realizadas as buscas o serviço de meteorologia prevê pancadas de chuvas e trovoadas que provocam ondas de quase 2 metros e reduz a visibilidade para no máximo 4 mil metros, durante as precipitações.

 

A nota informa ainda que o comando das operações, localizado em Recife (PE), recebeu nesta sexta-feira, 5, um grupo de 10 familiares das vítimas do voo 447, para conhecer os detalhes das buscas. No total 12 aeronaves foram mobilizadas na Base Aérea de Natal e Fernando de Noronha para os trabalhos de busca, além de três navios e um helicóptero da Marinha. Mais dois navios da Marinha estão a caminho da região para se juntar ao esforço de busca.

 

 

 

A existência de tubarões na costa brasileira é um fator que tem dificultado ainda mais as buscas pelo Airbus da Air France, disse o diretor do Museu do Tubarão, Leonardo Veras, segundo a AFP. De acordo com Veras, a queda do avião atrai tubarões porque emite um som similar ao de um animal ferido.

 

Além disso, nesta sexta-feira, 5, a falta de visibilidade prejudica as buscas pelo Airbus, segundo o diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), brigadeiro Ramon Borges Cardoso. Ele afirmou nesta sexta-feira, 5, que não há novidades sobre a operação e informa que as aeronaves vão fazer voos de reconhecimento em mais cinco áreas que ficam a 700 quilômetros de Fernando de Noronha. "A situação meteorológica na área é bastante ruim, muita chuva, visibilidade baixa", afirmou.

 

"A meteorologia da área está bastante prejudicada, inclusive no voo do R-99, mesmo os radares foram prejudicados pela meteorologia", acrescentou. Segundo o brigadeiro, apesar disso as buscas continuam concentradas em cinco áreas "onde a visibilidade está um pouco mais adequada".

 

A Marinha, que conta com três navios buscando os destroços do Airbus A330, diz que o mar está "bastante calmo". Segundo o almirante Edison Lawrence Dantas, comandante do 3o Distrito Naval, de acordo com convenções, o estado do mar varia de 0 a 12 em termos de intensidade do vento.  "O estado do mar reinante desde segunda-feira é estado 1 ou 2, que é bastante calmo", afirmou.

 

A Aeronáutica informou na última quinta que os destroços encontrados a cerca de 700 quilômetros de Fernando de Noronha não são da aeronave, como antes havia afirmado o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O pallet (espécie de porta bagagem) içado pela Marinha é feito de madeira. As duas bóias que a Aeronáutica chegou a afirmar que haviam sido resgatadas, na realidade, sequer chegaram a ser levadas a bordo.

 

Sobre a possibilidade de encontrar corpos, o brigadeiro da FAB reiterou que a cada dia fica mais "remota". "Os destroços que foram localizados (desde o início das buscas) não foram recolhidos, porque tínhamos a prioridade de buscas de corpos e sobreviventes. Como essa possibilidade, tanto de sobreviventes como de corpos fica cada vez mais remota, nós passamos agora a fazer a busca e o recolhimento do material que for encontrado", afirmou.

 

Segundo o brigadeiro, a Aeronáutica voltou às mesmas áreas de buscas onde já tinham sido avistados alguns destroços para que os navios sejam direcionados a esses locais e os helicópteros possam fazer o resgate das partes encontradas. 

 

Segundo o brigadeiro, de concreto até agora, trabalham com "a mancha de querosene, a poltrona e alguns pedaços da aeronave que faziam parte de uma área de aproximadamente 3 km de destroços onde havia fiação e parte interna da aeronave" avistados pelos aviões de busca. "Esses destroços realmente fazem parte dessa aeronave", acrescentou.

 

Um grupo de familiares desembarcou nesta sexta-feira em Recife e foi até a Aeronáutica para receber detalhes sobre as operações de busca.

 

O voo AF 447 tinha 216 passageiros de 32 nacionalidades, incluindo sete crianças e um bebê. Segundo a Air France, 61 eram franceses, 58 brasileiros e 26 alemães. Dos 12 tripulantes, um era brasileiro e os demais franceses.

 

Atualizada Às 15h06

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