França espera definição de caças em até 4 meses

Ministros franceses se dizem otimistas com desfecho da disputa, apesar de Dilma querer mais tempo para analisar relatórios sobre compra dos aviões

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2011 | 00h00

O Ministério da Defesa da França espera que o governo brasileiro defina em "três ou quatro meses" o projeto FX-2, processo de seleção para a compra de 36 caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). O prazo foi confirmado pelo ministro Alain Juppé, que veio ao Brasil para a posse de Dilma Rousseff e, na ocasião, recebeu a notícia de que o caso seria reavaliado pelo novo governo.

Esse prazo foi passado aos franceses pelo governo brasileiro, segundo Juppé. Dilma quer analisar os relatórios do projeto antes de sacramentar a compra, que pode custar de US$ 4 bilhões a US$ 7 bilhões.

Anteontem, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, explicou que a intenção do governo é tomar uma decisão em até seis meses. "Não vamos começar da estaca zero, porque seria começar o processo todo de novo, e não é isso", afirmou. Dilma já tem em mãos o relatório preparado pela pasta de Jobim que aponta o Rafale como o único modelo capaz de seguir efetivamente as regras estabelecidas pela Estratégia Nacional de Defesa. A prioridade é a transferência de tecnologia.

Confiança. Por isso, o discurso das autoridades francesas é otimista. "Acho que podemos ficar confiantes", afirmou Juppé, ao retornar a Paris, há uma semana. Christine Lagarde, ministra da Economia, ponderou que é natural que Dilma queira se inteirar do tema. "É preciso afirmar sua autoridade, é legítimo", afirmou à rádio Europe 1. "Houve um enorme trabalho prévio. Espero que os frutos do trabalho sejam levados em consideração. Estamos de dedos cruzados."

Fontes do meio industrial ouvidas pelo Estado ontem confirmam que o prazo estimado para uma resposta seja de três a quatro meses. Mas o momento é de espera para as companhias concorrentes - além da francesa Dassault Aviation, participam a americana Boeing e a sueca Saab.

"A bola neste momento está no campo do Brasil", disse um executivo francês. "Estamos esperando um anúncio sobre com quem serão abertas negociações exclusivas. Depois disso, haverá vários meses, talvez um ano, de negociações jurídicas sobre o contrato, para que então seja conhecido o preço final." A Dassault, fabricante do Rafale - o preferido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e concorrente do Boeing F-18 Super Hornet e do Saab Gripen NG -, não comenta o assunto. / COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.