Divulgação/BEA
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França: Estrangeiros ajudarão na abertura das caixas-pretas do voo 447

Segundo governo, análise será gravada e terá presença de técnicos brasileiros, americanos, britânicos e franceses

Andrei Netto, correspondente de O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2011 | 14h28

PARIS - Com a recuperação das caixas-pretas do voo AF-447, o governo da França vai convocar técnicos do Brasil, da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, além de oficiais de Justiça, para assegurar a lisura na transcrição das gravações. A informação foi confirmada pelo Ministério dos Transportes, em Paris.

 

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A participação de técnicos estrangeiros atende à pressão crescente de famílias de vítimas, de técnicos independentes e da imprensa, que colocam em questão a independência do Escritório de Investigação e Análise para a Aviação Civil (BEA).

 

A desconfiança decorre do fato de que o laboratório é controlado pelo governo da França, também acionário das empresas envolvidas no acidente: a Air France, a Airbus e a Thales. Por exigência da Justiça, a análise deve ser registrada por câmeras e testemunhas. Segundo o secretário dos Transportes, Thierry Mariani, a decupagem das caixas-pretas também "será feita sob o controle de um oficial de polícia, na presença de experts franceses, britânicos, americanos e brasileiros".

 

As suspeitas sobre a lisura do BEA, levantadas por famílias de vítimas brasileiras e alemãs, também são compartilhadas na França por técnicos independentes. Ontem, o consultor Gérard Arnoux disse que o BEA precisa demonstrar transparência. "É importante para a credibilidade da investigação que o BEA convite um especialista do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes) ou de outro escritório para participar da abertura das caixas", afirmou. "O BEA tem obrigação de incluir outros experts."

 

Representante de dezenas de famílias francesas, o advogado Jean-Pierre Bellecave ressaltou que as caixas-pretas e as informações dela colhidas ficarão sob o poder da Justiça, o que, segundo ele, exclui o risco de manipulação.

 

 

Expedição. Os trabalhos em Paris, entretanto, não encerram a expedição no Atlântico. Por prudência, outras peças da aeronave, consideradas importantes para explicar as causas do acidente, já foram identificadas e serão recolhidas nos próximos dias. Entre as dezenas de objetos, estão equipamentos eletrônicos e outros elementos do Airbus A-330, como leme, profundor e flaps - espécies de lemes horizontais situados na cauda e nas asas do avião -, peças que podem esclarecer em que circunstâncias o perdeu o controle antes de cair.

 

Sobre a decisão a respeito do resgate dos corpos, o BEA e o Ministério dos Transportes silenciaram ontem, afirmando que a decisão sobre a tentativa de içamento das vítimas caberá à Justiça. Por e-mail, Maarten Van Sluys, membro da Associação dos Familiares de Vítimas do Voo AF-447, foi informado pelo BEA de que o embaixador Philippe Vinogrodoff, encarregado pelo governo francês do contato com os parentes, "está preparando uma carta a todas as famílias". Há 20 dias, o Estado antecipou que o governo francês considerava remotas as chances de recuperação dos corpos de vítimas.

 

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