França inicia busca da caixa-preta

Estado-Maior das Forças Armadas solicitou autorização para colocar equipes em águas sob controle do Brasil

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

O Estado-Maior das Forças Armadas da França dará início hoje a uma verdadeira operação de guerra nas águas sob controle brasileiro, em busca das caixas-pretas do Airbus A330 destruído no Atlântico. O governo europeu solicitou o ingresso, em águas jurisdicionais brasileiras, de dois rebocadores de alto-mar que já foram contratados: o Fairmount Expedition e o Fairmount Glacier, que levarão a bordo 40 toneladas de equipamentos para auxílio às buscas dos destroços. Além disso, o Submarino Nuclear Émeraude, o Navio de Pesquisa Pourquoi Pas? e o Navio Anfíbio Mistral estão seguindo para a área das buscas e devem chegar entre hoje e sexta-feira.  Veja também: Submarino só tem 3 semanas para rastrear o oceano Atividades se concentram a 1.296 km do Recife Air France substituirá sensores de velocidade em poucos dias   Pitots congelados causaram panes iguais em 2008  Avião da Lufthansa também sofreu com turbulência Airbus de Lula tem sensores de velocidade alterados  Todas as notícias sobre o Voo 447 Submarino francês no resgate à caixa-preta Vídeo: Operação de resgateEspecial: Os desaparecidos do voo 447 Especial: Passo a passo do voo 447 Galeria de fotos: buscas do Voo 447 Galeria de fotos: homenagem às vítimas Blog: histórias de quem quase embarcouCronologia das tragédias da aviação brasileiraCronologia dos piores acidentes aéreos do mundo A ofensiva será marcada notadamente pela chegada do submarino nuclear de ataque (SNA) Émeraude S604, equipado de sonares especiais capazes, em tese, de localizar o sinal das balizas fixadas nos gravadores (mais informações nesta página). Ele se juntará à esquadra que já se encontra na região do acidente - a cerca de 100 quilômetros da costa do Recife -, que inclui o navio de guerra Mistral, para transporte de helicópteros que realizarão buscas e para o resgate de corpos que restam no mar. A terceira embarcação esperada, o Pourquoi Pas?, traz robôs submarinos capazes de explorar o fundo do oceano em altas profundidades, além de dois rebocadores do armador francês Louis Dreyfus, também equipados de sonares.No Atlântico, segundo o Estado-Maior francês, já trabalham a fragata Ventôse, que realizou o resgate de alguns dos corpos encontrados até aqui, além de dois aviões de patrulha marítima Atlântico 2, um avião de supervisão e buscas Falcon 50M e um avião de detecção e comando Awacs. As aeronaves, segundo as Forças Armadas do país, somavam até ontem 170 horas de buscas na região.Questionado pela imprensa francesa, o porta-voz do Estado-Maior, capitão Christophe Prazuck, afirmou ontem que a missão de busca tem abatido os militares deslocados para a costa brasileira. "Para eles, é uma missão difícil. Mas eles estão conscientes da importância de seus trabalhos para as famílias das vítimas." SOM E PARÂMETROSTamanha mobilização se dá à procura de dois equipamentos cujo tamanho é comparável a uma caixa de sapatos. A primeira caixa-preta é o Flight Data Recorder (FDR), que registra os parâmetros de voo, enquanto a segunda, o Cockpit Voice Recorder (CVR), registra as conversas de som na cabine de pilotagem. Segundo Laurent Kerleguer, engenheiro e especialista em ambiente marinho dos Serviços Hidrográficos e Oceanográficos (Shom), da Marinha da França, a complexidade das buscas pelos equipamentos dependerá da área de procura a ser delimitada e da profundidade em que os aparelhos estão perdidos. As caixas-pretas são consideradas peças importantes - mas não necessariamente cruciais - na apuração das causas pelo Escritório de Investigações e Análises sobre a Aviação Civil (BEA).

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