França resgata primeiro corpo de destroços de avião da Air France

Investigadores franceses informaram que corpo foi içado ainda preso ao assento em estado de 'deterioração'

Daniela Fernandes, BBC

05 de maio de 2011 | 07h57

PARIS - A polícia francesa anunciou nesta quinta-feira, 5, o resgate do primeiro corpo içado dos destroços do voo 447 da Air France, que caiu no Atlântico em 2009. "Submerso durante quase dois anos a uma profundidade de 3,9 mil metros, o corpo, ainda preso ao assento do avião, está deteriorado", diz um comunicado da Direção Geral da Polícia Militar francesa (DGGN, na sigla em francês).

 

Veja também:

link'Crítica é por má-fé ou desconhecimento', rebate BEA

link'Estadão ESPN': Relato de porta-voz dos familiares

linkJustiça aumenta indenização aos familiares

linkFrança: estrangeiros ajudarão na abertura das caixas-pretas

especialInfográfico: Detalhes da operação de resgate

especialPasso a passo do acidente com o voo 447

As autoridades militares, que realizam as tentativas de resgate dos corpos do avião da Air France, informaram que "os restos mortais de um dos passageiros foram levados a bordo do navio Ile de Sein no início da manhã desta quinta-feira". "Coletas foram efetuadas pelos investigadores da polícia a bordo e serão encaminhadas na próxima semana, juntamente com as caixas-pretas do avião, a um laboratório de análises a fim de determinar a possibilidade de uma identificação por meio do DNA", acrescenta a DGGN.

O comunicado afirma ainda que a tentativa de resgate dos corpos está sendo efetuada em condições "particularmente complexas e inéditas". "Grandes incertezas continuam existindo em relação às possibilidades técnicas de levar os corpos à superfície", diz o texto.

Segundo os especialistas, os corpos podem não resistir às mudanças de temperatura da água durante o içamento. Além disso, a fortíssima pressão da água a quase 4 km de profundidade mantém a estrutura corporal coesa na água.

A diminuição da pressão, quando o corpo é içado, pode causar o deslocamento dos ossos, disse recentemente à BBC Brasil o coronel François Daust, diretor do Instituto de Pesquisas Criminais da Polícia Militar francesa (IRCGN, na sigla em francês).

Famílias. O resgate dos corpos divide os familiares das vítimas. Alguns preferem que os restos mortais de seus parentes sejam deixados no local do acidente e consideram que o resgate seria "uma violação de suas sepulturas".

Oito membros da polícia militar francesa estão a bordo do navio Ile de Sein, entre militares da polícia dos transportes aéreos, marítima e do Instituto de Pesquisas Criminais da Polícia Militar, especializado na identificação de vítimas de catástrofes.

O resgate de corpos está sob a responsabilidade da Justiça francesa. O acidente com o avião da Air France, que fazia a rota Rio e Paris, matou 228 pessoas. Apenas 50 corpos foram encontrados logo após o desastre, sendo 20 deles de brasileiros.

A operação para tentar levar os corpos a superfície foi iniciada na quarta-feira. O navio Ile de Sein, que realiza a quinta fase de buscas, durante a qual as caixas-pretas do avião da Air France foram localizadas, está a cerca de 1,1 mil quilômetros da costa brasileira.

 

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.