França tentará resgate de corpos do acidente da Air France, diz Aeronáutica

Retomada das operações pela BEA acontecerá na próxima sexta-feira; prioridade continua sendo encontrar a caixa-preta do avião

Agência Brasil

19 Abril 2011 | 14h06

BRASÍLIA - O governo do presidente da França, Nicolas Sarkozy, autorizou o BEA - órgão responsável por investigar as causas do acidente com o voo 447 da Air France - a resgatar os corpos das vítimas da tragédia que ocorreu em maio de 2009, no Oceano Atlântico. Os corpos e os destroços da aeronave estão a cerca de 1.100 quilômetros da costa brasileira. A retomada das operações ocorrerá na próxima sexta-feira, 22.

 

O chefe do Centro de Investigação e Prevenção Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro Carlos Alberto da Conceição, afirmou que a decisão de retomar os resgates dos corpos foi comunicada na manhã desta terça-feira, 19, à Aeronáutica. O brigadeiro disse que a confirmação foi dada ao coronel Luís Cláudio Lupoli - militar brasileiro que participa das operações de investigação com as autoridades francesas.

 

O brigadeiro ressaltou que é necessário lembrar que não há dados sobre o estado em que se encontram os cadáveres das vítimas. "Os corpos estão a cerca de 4 mil metros de profundidade e não sabemos ainda das condições técnicas para resgatá-los", afirmou o militar.

 

O avião da Air France caiu no Oceano Atlântico em 31 de maio de 2009, deixando 228 vítimas, de 32 nacionalidades, incluindo vários brasileiros. A retomada das buscas deu novo estímulo às famílias das vítimas, pois há informações segundo a qual foi localizada a peça onde estava a caixa-preta do voo 447.

 

De acordo com Lupoli, os técnicos do BEA ainda não sabem dizer a quantidade nem a situação dos corpos localizados no interior da fuselagem do avião, localizada no último dia 3.

 

Embora tenha evitado falar em prioridades nas buscas, ele afirmou que o principal enfoque do BEA é identificar os motivos que causaram o acidente e que, portanto, caberá ao governo francês decidir sobre o resgate dos corpos e sobre a continuidade dos trabalhos de buscas caso as caixas-pretas sejam recolhidas antes.

 

O coronel viaja esta tarde para o Rio de Janeiro, de onde segue para Dakar, no Senegal. Segundo Lupoli, o navio Ile de Sein, pertencente a uma empresa privada contratada pelo BEA, partirá do porto africano no próximo dia 22. A embarcação levará ao menos três dias para chegar ao ponto onde grande parte dos destroços estão concentrados.

 

Segundo o coronel, o navio tem condições de receber e transportar os corpos que eventualmente forem resgatados. Tanto os corpos quanto as peças do Airbus A330 que forem retirados do mar serão içados em uma grande caixa metálica, que levará três horas para atingir a profundidade em que estão os destroços do avião e outras três para voltar à superfície.

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