Francês reage a assalto e é assassinado

Ladrões tentavam roubar bar na Vila Mariana; Gabriel Parfait levou 2 tiros

Camilla Haddad e Daniela do Canto, O Estadao de S.Paulo

16 de janeiro de 2009 | 00h00

O professor de francês Gabriel Robert Parfait, de 53 anos, foi morto a tiros após reagir a um assalto na noite de anteontem em um bar na Rua Dionísio da Costa, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Ele era filho de um diplomata francês e bebia em companhia da mulher. Parfait foi socorrido pelos bombeiros e levado para o Hospital São Paulo, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Ninguém foi preso.O francês foi atingido por dois disparos: um de raspão no braço e outro na lateral do tronco, que atingiu a artéria aorta. Segundo a polícia, às 22 horas dois homens - um deles armado - renderam o dono do estabelecimento e em seguida pediram a bolsa da companheira de Parfait, a corretora de imóveis Maria Jeanete Silvério, de 44 anos. Nesse momento, o francês teria desafiado o suspeito a atirar e chutado a mão do ladrão para derrubar a arma. O criminoso chamou a vítima de "coroa folgado" , atirou e fugiu a pé com o comparsa. Os assaltantes levaram o relógio do dono do bar e R$ 400. Maria Jeanete contou que o casal era cliente do estabelecimento há bastante tempo e resolveu ir até o local, às 20 horas, por causa da falta de energia elétrica no bairro provocada pela chuva. "Moramos lá perto há três anos. Ontem (quarta-feira), faltou força desde à tarde. Daí, meu marido falou: ?vamos descer e tomar alguma coisa que deve demorar para a energia voltar?."De acordo com Maria, na hora da abordagem, um dos ladrões levantou a camiseta para mostrar a arma, escondida na cintura. Além do casal, estavam no bar outros dois clientes. "No princípio, ele (Parfait) achou que era brincadeira do assaltante", disse a corretora. Maria correu para o banheiro do local e se escondeu com os outros dois clientes.Parfait continuou no salão do bar e discutiu com os assaltantes. "Eu ainda tentei puxá-lo para dentro do banheiro, mas depois só ouvi o tiro", afirmou a corretora. "É um sentimento profundo de dor", desabafou Maria. O caso foi registrado no 6º DP (Cambuci) como roubo e homicídio simples. 25 ANOS NO BRASILO francês Gabriel Robert Parfait chegou ao Brasil há 25 anos. Ele era viúvo do primeiro casamento, no qual teve duas filhas, de 21 e 23 anos. Uma delas estuda na Espanha e outra na França.Segundo amigos, a vítima era uma pessoa tranquila, dificilmente discutia e gostava de viver no Brasil. Ainda segundo amigos, Parfait nunca tinha sido vítima de violência. FRASESMaria Jeanete SilvérioMulher da vítima"No princípio, ele (Parfait)achou que era brincadeirado assaltante""Eu ainda tentei puxá-lo para dentro do banheiro (onde ela se escondeu com outros dois clientes do bar), mas depois só ouvi o tiro""É um sentimento profundo de dor"

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