Franceses lançam críticas à ''precipitação brasileira''

Declarações feitas pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, repercutiram em várias mídias

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

06 de junho de 2009 | 00h00

A precipitação do ministro da Defesa, Nelson Jobim, em anunciar na quarta-feira ter encontrado os destroços do Airbus A330-200 e em descartar as hipóteses de uma explosão em pleno voo e de um incêndio a bordo voltaram a repercutir mal ontem na imprensa da França. Veículos como o jornal Le Figaro, a rádio France-Info e a emissora de TV France 2 teceram críticas à atitude do governo brasileiro. Depois de embarcarem nas mesmas informações, as autoridades francesas preferiram a prudência.As críticas foram veiculadas nas primeiras horas do dia, quando ainda repercutia a informação de que os destroços recolhidos no Atlântico, perto de Fernando de Noronha, não eram do Airbus. A rádio France-Info, uma das de maior audiência de Paris, foi direta e classificou o episódio de "fiasco".Na France 2, a falha de avaliação foi definida como "erro lamentável das autoridades brasileiras". Instantes mais tarde, a reportagem destacou: "As autoridades brasileiras talvez tenham falado rápido demais." O canal também criticou o governo francês, citando o Estado-Maior das Forças Armadas por ter entrado na onda de confirmações errôneas.Pressionado, o governo já demonstrou postura diferente. O secretário de Estado de Transportes, Dominique Bussereau, classificou o equívoco sobre os destroços de "má notícia" e pediu "extrema prudência" ao voltar a comentar o tema. Bussereau disse ainda que "o objetivo central (das buscas) é encontrar as caixas-pretas". Para tanto, o governo francês confirmou que enviou à região presumida do acidente um submarino nuclear, o SNA Emeraude, equipado de um sonar. Questionadas sobre as especulações a respeito da origem do acidente, outras autoridades francesas preferiram manter o silêncio e o trabalho.O ministro da Defesa da França, Hervé Morin, se recusou até a descartar um eventual ato terrorista, mesmo com a total ausência de reivindicação. "Nenhum elemento ou pista nos permite corroborar essa versão, mas a investigação em curso jamais a excluiu."

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