Franceses transformam orla em galeria ao ar livre

Vinte obras gigantes, com 8 metros de altura, foram instaladas entre as praias de Copacabana e Leblon, numa tentativa de ?democratizar a arte?

Clarissa Thomé, RIO, O Estadao de S.Paulo

03 Julho 2009 | 00h00

O calçadão das praias do Leblon, Ipanema e Copacabana virou uma galeria ao ar livre. Vinte painéis gigantes, feitos por sete artistas franceses, foram instalados entre os postos de salvamento da orla. As obras da Street Biennale, evento que integra o Ano da França no Brasil, foram criados especialmente para a exposição. "O público de arte é muito fechado, restrito a museus. Queríamos levar isso para as ruas, onde o impacto é bem mais forte. Uma exposição como essa precisa sair às ruas, é a nossa contribuição para a democratização das artes plásticas", afirma o diretor da mostra, Jérémy Planchon, que há sete anos vive entre França e Brasil. Entre os trabalhos expostos em telas de 8 metros de altura por 4 metros de largura há o alerta de um futuro sombrio, reflexo da destruição da natureza e do consumismo desenfreado, como na obra São Paulo, de Willy Bihoreau, ou personagens imaginários, em traços de histórias em quadrinhos, de Ned. Stéphane Carricondo, fascinado por rostos, fez dois painéis em que retrata indígenas. O fotógrafo Vincent Rosenblatt escolheu o Posto 9, em Ipanema, para expor painéis da série em progresso Rio Baile Funk. "Fiz essa escolha em homenagem ao fotógrafo brasileiro Alair Gomes, que se dedicou a fotografar a beleza do homem carioca da zona sul, do trabalhador. Achei que seria interessante a imagem de dançarinos negros de baile funk, do underground, aflorar no local mais elitizado da praia", afirmou. Rosenblatt chegou ao Brasil em 1999, num intercâmbio que deveria durar três meses. Ficou nove. Voltou definitivamente em 2002 e criou o projeto Olhares do Morro, com o qual formou, com jovens moradores de favela, uma geração de fotógrafos que chegou a expor na França e nos Estados Unidos. A partir de 2005, começou o trabalho Rio Baile Funk, numa parceria com DJs e MCs, e hoje dirige a Agência Olhares. "A cena funk é a produção cultural mais inspiradora do Rio. Não é só música, há uma troca de informação entre diferentes classes sociais. E ao mesmo tempo é um movimento discriminado, criminalizado", explica. A ideia dos organizadores era iniciar a Street Biennale pelo Ibirapuera, mas "óbices burocráticos", nas palavras do editor Leonel Kaz, diretor cultural da mostra, fizeram com que os painéis fossem exibidos primeiro no Rio. "A exposição reúne trabalhos de artistas contemporâneos, que fazem um pós-grafite. É uma fotografia extremamente realista, quase um Blade Runner atual", afirma Kaz. Também participam da Street Biennale os artistas Jerk 45, Mambo (que fez um grafite inspirado nas torcidas de futebol, em Fla-Flu) e Blek Le Rat, primeiro artista a usar desenhos em tamanho real para marcar as ruas de Paris, em 1981.

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