Frango assado com sotaque peruano

Rede Rocky?s inaugura filial hoje em SP; outras casas abriram no último ano

Deborah Bresser, O Estadao de S.Paulo

15 de dezembro de 2007 | 00h00

Patrimônio cultural do Peru por decreto, o pollo a la brasa, aqui frango grelhado, desembarca em São Paulo para um projeto ousado. A rede Rocky?s, dona de 60 galeterias na terra do pisco sauer, abre hoje, em Moema, a primeira filial brasileira do que promete ser um complexo com 40 endereços a partir de 2008 em todo o País. Outros abertos no último ano na cidade mostram que o prato tradicional continua fazendo sucesso entre os paulistanos.Para conquistar o paladar nacional, a Rocky?s confia na técnica de cozimento, uma espécie de rolete que assa o frango sem perder a maciez, e no tempero peruano. "O carvão é o mesmo, mas o frango é assado como se fosse em uma roda gigante, ele gira em volta de si mesmo e em volta do carvão. O tempero também é muito especial", diz o administrador Edimar Domenech, de 31 anos, responsável pela operação do negócio no Brasil. Toda a equipe de cozinha, segundo ele, veio do Peru e ficará um ano aqui, já que know how das pollerias é mais um dos trunfos para encarar a concorrência acirrada. Segundo dados do Instituto Nacional de Cultura do Peru - cuja resolução número 1.066, de 14 de outubro de 2004, define o pollo a la brasa como patrimônio do país - 45% dos peruanos vão a uma polleria pelo menos uma vez por semana. Nove em dez comem o prato freqüentemente. Só em Lima, há mais de mil restaurantes dedicados exclusivamente ao prato - o distrito mais "pollero" é São João de Lurigancho, onde funcionam 91.Por aqui, não há dados oficiais, mas basta uma voltinha para constatar que o prato caiu no gosto da cidade. Na Frangaria, que mantém dois restaurantes especializados em frango na brasa, chegam a ser vendidos 300 frangos em um domingo. O prato serve bem duas pessoas e custo pouco. "O que mais sai é frango com polenta e farofa, que custa R$ 27", diz um dos sócios, Ricardo Wildeisen. "É o nosso refeitório", revela o trader Ricardo Lisboa, que almoça na filial da Vila Olímpia quase todos os dias com um grupo de colegas. Ambiente sem afetação, rapidez e fartura justificam a escolha. "Para a região, não é caro", opina o publicitário Carlos Rafael Tangioni, que também costuma se alimentar lá durante a semana. Para sua amiga, a publicitária Vanessa Ramos, a refeição tem ainda outro benefício: é saudável. "Essa é uma qualidade de que pouca gente fala, a carne do frango grelhado é mais indicada para quem quer cuidar do peso e da saúde", lembra Wildeisen. A Frangaria trabalha com frangos padronizados, em peso e tempo de preparo. "Não dá para o cliente vir em um dia e o prato dar para duas pessoas, no outro três, no outro quatro", esclarece. Se durante a semana os executivos dominam as mesas, no fim de semana a freguesia muda e são as famílias que tomam conta do pedaço, já que polenta e frango assado são quitutes fáceis de agradar a pais e filhos. "Tenho uma cliente que sempre vem porque a filha pede. Aqui a garotinha come de tudo, principalmente polenta."Caçula no ramo, a Galeteria Pompéia, na zona oeste, também se torna, segundo a proprietária Fernanda Giacomo, um McDonald?s no fim de semana. "O salão fica cheio de criança", diz ela, que abriu a casa há apenas seis meses. Além dos almoços de sábado e domingo, o forte da casa são os jantares. Os frangos, preparados na brasa, chegam acompanhados de vinagrete, farofa e cebola à moda, com precinho camarada de R$ 20,20. Meia porção sai por R$ 13,10 e o desossado chega a R$ 23,50. "O prato serve duas pessoas com fome", garante. Entre os pioneiros, o Galeto?s destaca-se como especialista no chamado franguinho de leite. "Só trabalhamos com o galeto mesmo, que é o frango abatido com até 28 dias de vida", esclarece Paula Warick, gerente de Marketing da rede, que tem 11 lojas próprias na cidade. O número de clientes que passam por lá dá bem a medida do sucesso da empreitada: são 150 mil pessoas por mês, 60% consumidoras de galeto. Com apenas um endereço e 20 anos de estrada, A Galeteria Assados, em Moema, é outro fenômeno. "Vendemos umas 15 toneladas de frango por mês", diz Carlos Medeiros Silva. O segredo? Qualidade e preço justo. As filas na porta não o deixam mentir.

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