Frase de que céu recebe animais é de outro papa

Paulo VI que morreu em 1978, e não Francisco, é quem teria consolado menino triste pela morte de seu cão

O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2014 | 21h31

Uma suposta declaração atribuída ao papa Francisco causou alvoroço e polêmica na última semana, após a publicação de um artigo no jornal The New York Times (reproduzida no Estado na edição do dia 13). Ao consolar um menino que estava triste pela morte de seu cão, o pontífice teria dito que “o paraíso está aberto a todas as criaturas de Deus”. O problema é que a frase, na verdade, não pertence a Francisco.

O jornal americano publicou uma correção na qual afirma que o artigo “relatou erroneamente as circunstâncias das afirmações do papa Francisco”. Em uma audiência geral em 26 de novembro na Praça de São Pedro, no Vaticano, o pontífice discursou sobre a vida, a morte e o céu. Em determinado momento, disse: “Ao mesmo tempo, a sagrada escritura ensina-nos que o cumprimento deste desígnio maravilhoso não pode deixar de abranger também tudo aquilo que nos circunda e que saiu do pensamento e do coração de Deus.”

O site Crux – que pertence ao jornal americano Boston Globe e é especializado na cobertura católica – explicou o mal-entendido. Após a audiência geral, o jornal italiano Corriere della Sera publicou um artigo em que relata as afirmações de Francisco e ainda cita declarações do papa Paulo VI (1897-1978). O pontífice que morreu nos anos 1970 é quem teria consolado o menino cujo cão morreu.

O artigo italiano ganhou o título: “O papa e os animais: o paraíso está aberto a todas as criaturas”, sem deixar claro a qual pontífice se referia. A isso soma-se outra reportagem da versão italiana do Huffington Post com o título: “Papa Francisco: iremos para o céu como os animais”, reforçando a confusão.

A história ganhou mais força e se espalhou pelas redes sociais quando jornais de língua inglesa reproduziram o erro.

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