Fraudes no centro correspondem a 50% dos prejuízos

Na região, 4.910 pontos desviaram 1,9 bilhão de litros de água; zona leste, com 7.566, lidera ranking de ?gatos?

MARICI CAPITELLI, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

A região central concentrou o maior volume de água desviada na Grande São Paulo, no ano passado. Dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) apontam que a área registrou 4.910 pontos irregulares que furtaram 1,9 bilhão de litros de água. A empresa conseguiu recuperar desses fraudadores R$ 13,5 milhões - metade dos R$ 26,1 milhões arrecadados pela companhia nas 37 cidades atendidas na região metropolitana.O mapa da Sabesp, no entanto, difere do mapa territorial. A região com o maior volume de água desviada, além dos bairros centrais, estende-se da Lapa, na zona oeste, a São Mateus, na zona leste, e da Marginal do Tietê, nas zonas norte e leste, até a Avenida dos Bandeirantes, na zona sul. A área, com 3 milhões de habitantes, tem 1,4 milhão de ligações de água.A companhia constatou que a maior parte das ligações irregulares ocorre em casas. Foram 3.839 imóveis residenciais notificados, ante 696 comerciais. Fraudes foram identificadas também em casas de alto padrão. "Uma bela fachada (residencial) não significa que não exista fraude. O que os fraudadores precisam entender é que os custos desse ato acabam recaindo sobre os outros usuários", disse Milton Seuaciuc, assistente executivo da Diretoria Metropolitana da Sabesp.Há também quem burle a Sabesp por não ter condições de pagar pela água. Na Rua Independência, no Cambuci, 90 famílias - quase 500 pessoas - ocupam um prédio invadido e desviam água. "Para recolher R$ 5 de cada um por mês para limpar o prédio já é uma dificuldade, imagine pagar a conta de água", afirmou Maria da Costa Filha. Com dez filhos e três netos, Uina dos Santos, de 38 anos, disse que gasta "muita água", mas considera natural não pagar. "Se não temos condições, o que fazer?" A Sabesp informou que cortaria a água.Um estacionamento recém-inaugurado na Rua Cesário Mota, em Santa Cecília, já adulterou o hidrômetro. A água havia sido cortada por falta de pagamento - uma dívida de quase R$ 9 mil -, mas, quando os fiscais chegaram, as torneiras estavam fartas. Os funcionários disseram que não sabiam do corte. O proprietário foi procurado, mas não deu retorno.Embora o centro lidere em volume de desvio, a região leste, com 3,6 milhões de habitantes, foi a campeã em quantidade de hidrômetros adulterados. Na área que inclui Penha, Itaquera e São Miguel, na capital, e cidades como Arujá, Suzano e Mogi das Cruzes, foram localizados 7.566 pontos de fraude, que consumiram irregularmente 976,2 milhões de litros de água. O volume de dinheiro ressarcido foi de apenas R$ 567 mil.A região oeste, com 3 milhões de pessoas, teve 3.434 fraudes, menos da metade da zona leste. No entanto, a arrecadação para pagar 1,1 bilhão de litros desviados foi de R$ 3,4 milhões. A área sul da Sabesp, com 3,8 milhões de habitantes registrou 1.625 pontos de fraude. Foram desviados 378,9 milhões de litros de água e arrecadados à Sabesp R$ 2,2 milhões. Na região norte, onde vivem 2,7 milhões, foram 3.630 fraudes que consumiram 1,082 bilhão de litros de água. A Sabesp recuperou na região R$ 3,1 milhões. Contra esses prejuízos, a Sabesp tem utilizado sistema de inteligência. Ao todo são 50 equipes de caça às fraudes que saem às ruas. A mudança de cobrança individual nos apartamentos vai facilitar os trabalhos. Denúncias podem ser feitas pelo 195.

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