Freguesia, mais perto do centro

Crescimento da cidade faz com que bairro tradicional se verticalize e deixe para trás estigma de ?periferia?

Rodrigo Gallo, O Estadao de S.Paulo

14 de dezembro de 2007 | 00h00

A Freguesia do Ó, que ficou nacionalmente conhecida com a música Punk da Periferia, do cantor Gilberto Gil, está mais perto do centro. Com o crescimento da cidade, a verticalização chega ao bairro tradicional da zona norte. É uma mudança de cenário semelhante à que ocorre em regiões como Mooca, Pompéia e Barra Funda. Com a transformação, a distância que separa o bairro do centro, de 18 quilômetros, antes considerada muito longa, parece menor.Mesmo assim, o bairro preserva aspectos que ainda o fazem ser comparado a cidades de interior: o Largo da velha Igreja Matriz, por exemplo, até hoje é onde os vizinhos se encontram para colocar o papo em dia.Quem circula pelas ruas da Freguesia do Ó percebe que, apesar do desenvolvimento, o bairro ainda guarda inúmeras tradições históricas, como casas antigas - praticamente sem quintal - e as árvores centenárias perto da Matriz. A diferença é que, agora, esse cenário da primeira metade do século passado divide espaço com as novas torres residenciais erguidas nos últimos anos.De acordo com o levantamento da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), foram lançados 7 empreendimentos entre novembro de 2006 e outubro de 2007, num total de 440 unidades habitacionais. O preço médio dessas casas e apartamentos é de R$ 230 mil.VALORIZAÇÃOO presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) de São Paulo, José Augusto Viana Neto, acredita que a expansão imobiliária na Freguesia do Ó deve continuar ganhando força em 2008. "A ampliação do mercado de imóveis novos e usados no bairro começou há dois anos, mas ganhou intensidade nos últimos 12 meses", observa. "É uma tendência natural, pois não se encontra mais terrenos disponíveis na região central. Com isso, as construtoras e incorporadoras precisam se expandir para áreas um pouco mais afastadas", explica. Naturalmente, essa "revolução imobiliária" também provoca transformações na infra-estrutura de comércio e serviços do bairro e, conseqüentemente, valorização dos imóveis.O metro quadrado de um apartamento de quatro dormitórios na Freguesia custa em média R$ 2.991, segundo a Embraesp. Na Vila Brasilândia, bairro vizinho, o metro quadrado de um imóvel com a mesma configuração sai por R$ 1.308,11.Mas o valor perde para outros bairros tradicionais, porém localizados do outro lado do Rio Tietê, como a Mooca, por exemplo, onde o metro do mesmo apartamento de quatro quartos custa R$ 3.149.Com as mudanças sofridas pelo bairro recentemente, a Freguesia tem atraído um novo tipo de consumidor para a região: pessoas com mais de 40 anos, que moravam em bairros mais centrais e buscam principalmente apartamentos novos, com quatro quartos, cerca de 150 metros quadrados de área e espaços para lazer nos edifícios, como locais para festas, churrasco e quadras poliesportivas. São, portanto, empreendimentos que até há uns anos eram comuns do outro lado do rio, em bairros como Lapa, Pompéia, Perdizes e, mais recentemente, Barra Funda. Agora, ganham cada vez mais espaço em bairros descentralizados - a Freguesia do Ó é ?a bola da vez? da zona norte, para algumas construtoras.Segundo a Subprefeitura de Freguesia do Ó, o bairro tem atualmente 144 mil habitantes, distribuídos em uma área de 7,7 km².HISTÓRIAA Freguesia do Ó é um dos bairros mais antigos da capital, com 427 anos completados em agosto. Foi fundado, oficialmente, quando o bandeirante português Manoel Preto, que construiu a sede de sua fazenda às margens do Tietê no ano 1580. Na época, o explorador não imaginou que estava edificando o primeiro alicerce de um dos bairros mais tradicionais de São Paulo.De acordo com o calendário da Prefeitura, a população festiva da Freguesia realiza inúmeras festas típicas ao longo do ano, como a Festa do Divino (em abril), o Assentamento da Cruz (em maio) e a da Nossa Senhora do Ó (em agosto).

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