Frei Betto compara Cabral a Hitler

Teólogo disse que ?política de repressão? da polícia do Rio lembra o 3.º Reich; relator da ONU também faz críticas

Marcelo Auler e Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

O teólogo frei Betto criticou duramente ontem o governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB), e propôs que ele inaugure uma estátua de Adolf Hitler, líder nazista alemão. A sugestão foi feita no 6º Encontro Nacional de Fé e Política, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, ao comentar a declaração de Cabral a favor do aborto como forma de reduzir a violência."O governador do Rio falou do aborto, falou que a Rocinha é fábrica de marginais e recusou-se a receber representante da ONU que está em visita ao Brasil. Acho que ele deveria inaugurar uma estátua de Hitler em praça pública, porque está havendo uma grande coincidência entre sua política de saneamento e de repressão ao narcotráfico com aquilo que fez o 3º Reich", disse. O religioso acusou a polícia fluminense de cometer "genocídio" em suas operações. "A bandidagem não acaba com aquela receita que está no (filme) Tropa de Elite". "Assim nós vamos para barbárie." A Assessoria de Imprensa do governador informou ontem à tarde que ele não iria comentar as declarações.Em visita ontem de manhã ao Complexo do Alemão, na zona norte, o relator de Direitos Humanos das Nações Unidas para Execuções Sumárias, Arbitrárias e Extrajudiciais, Philip Alston, disse ser preocupante que se tenha a idéia de que, se uma pessoa é traficante, matá-la é justificável. "Se alguém acha que os problemas de drogas no Rio serão solucionadas com morte, é porque não entende o suficiente para lidar com o problema." O relator foi conversar com parentes de 8 dos 19 mortos da operação no Complexo do Alemão, em junho. No entanto, por questão de segurança, Alston não subiu o morro.Antes de saber das críticas do relator, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse não esperar um bom resultado do relatório por ter notado, por parte de Alston, "um despreparo total e ausência da realidade". "Pessoas que têm experiência na Austrália, onde trabalharam em ação de colonos, infelizmente podem contribuir muito pouco com o Rio."Beltrame foi ontem ao enterro do policial Eduardo Matos, de 25 anos, morto na sexta-feira após ser atingido a bordo do helicóptero da Polícia Civil, em ação no Morro do Adeus, zona norte. O secretário afirmou que não haverá operação em represália. Também esteve presente à cerimônia o secretário nacional de Segurança Pública, Antônio Carlos Biscaia.

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