Frei Caneca, a rua mais livre e gay friendly de SP

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O Estadao de S.Paulo

23 de fevereiro de 2008 | 00h00

Um casal de homens caminha de mãos dadas pela rua. Na outra esquina, duas garotas se beijam. Quem passa vê as cenas com tranqüilidade. Isso é comum na Rua Frei Caneca, na região central. Lá, casais - gays ou não - têm liberdade para trocar carícias, sem se preocupar com olhares de reprovação ou agressões. Não por acaso a rua se transformou numa espécie de território livre. "É o povo mais cool de São Paulo, um ?pico? gay-friendly", resume a estudante Eloa Pattaro, de 22 anos."Sentimos mais liberdade na Frei Caneca por existirem mais casais como nós", diz o empresário Marcello Chagas, de 29 anos, que namora há 6 anos o hair stylist Marcos Veríssimo, de 24. Tamanha liberdade tem atraído um número cada vez maior de gays e de heterossexuais sem um pingo de homofobia. São na maioria jovens escolarizados e de bom poder aquisitivo, segundo o antropólogo Alexandre Paulino Vega, autor de um estudo sobre a sexualidade no centro.Essa efervescência começou há 13 anos, com a abertura da boate A Lôca. "Não tinha nada na época, nem mesmo a quantidade de gays de hoje", conta o promoter e DJ Nenê Krawitz. Deu certo. A Lôca hoje é um dos lugares mais badalados da noite paulistana. E serviu de inspiração a outros points GLS. Quase na esquina com a Rua Dona Antônia de Queirós, Vadilson Valeriano montou O Gato, casa que tem 95% de freqüentadores gays. "Mas sempre recebo casais heterossexuais por aqui." O Shopping Frei Caneca é bastante freqüentado por gays desde a inauguração, em 2001. E acaba refletindo a mistura das calçadas, principalmente após o "beijaço". Considerado um marco, ele ocorreu em 3 de agosto de 2003, como forma de protesto contra a repressão, por parte de seguranças do shopping, a um beijo entre gays. Cerca de 3 mil pessoas se reuniram no local para um beijo coletivo. "Depois, todos os shoppings chamaram a segurança e informaram sobre a Lei 10.948, de 2001 (que penaliza a discriminação sexual no Estado)", conta Lula Ramires, organizador do beijaço.

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