Freio de caminhão envolvido em duplo acidente tinha problema

Veículo não possuía ar nos tambores de freio e mangueiras do sistema de ar comprimido estavam amarradas

Rafael Carvalho, especial para o Estadão,

06 de novembro de 2007 | 18h53

O caminhão que provocou o segundo acidente na BR-282, no município de Descanso, oeste de Santa Catarina, em outubro, possuía apenas 30% de sua capacidade de frenagem. As informações fazem parte da perícia realizada no caminhão que atingiu a área de resgate do primeiro acidente, envolvendo dois caminhões e um ônibus, e foram divulgadas pelo delegado responsável pelo caso, Rudinei Charão Teixeira. A tragédia provocou a morte de 27 pessoas - 11 no primeiro acidente e 16 no segundo - e deixou outros 90 feridos. O laudo completo dos dois acidentes, com 202 páginas, deve ser finalizado ainda nesta semana, mas outros dados já foram divulgados por Teixeira. O caminhão da transportadora paranaense Turatto & Turatto, dirigido pelo motorista Rosinei Ferrari, não possuía ar nos tambores de freio e algumas mangueiras do sistema de ar comprimido estavam amarradas, o que impediu o bom funcionamento de todos os freios. Segundo declarações do delegado Teixeira, as informações da perícia contradizem o que Ferrari disse em depoimento, já que o motorista teria dito que não sabia de nenhum problema com os freios do caminhão. "Dali para frente é conseqüência. O que importa é saber quais foram as verdadeiras causas do acidente. Se o delegado Teixeira disse que o Rosinei sabia do problema com os freios, essa é uma conclusão dele. Vamos esperar que o processo chegue ao juiz para ver se ele terá a mesma conclusão e saber se essas provas são suficientes para condenar meu cliente", declarou advogada da transportadora Turatto & Turatto, Solange da Silva Machado.

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