Frente depende das urnas e do papel do PMDB

Todos os presidentes de partidos concordam que o debate sobre a frente é ainda muito embrionário e dependerá do resultado das urnas e do papel do PMDB num futuro governo.

, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2010 | 00h00

Nos bastidores, alguns dirigentes da esquerda, especialmente petistas, sustentam que a união dos partidos do que chamam "campo democrático popular"pode barrar a forte ascensão política do PMDB num próximo governo. A tese, porém, não é homogênea entre os partidos.

"Não é bom para a sustentação do governo isolar o PMDB. Não trabalho com a tese de fazer qualquer movimento contra A ou B", antecipa o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que preside o PDT. O partido, que inicialmente fez parte do "bloquinho" _ a união, no Congresso, do PSB, PCdoB e PDT, com outras legendas menores _ aliou-se ao PMDB para apoiar a eleição de Michel Temer à Presidência da Câmara.

"Dentro do PMDB há forças coesas com a gente. Tem que ver no PMDB qual é a bancada que se elege. Porque, de repente, pode ter uma aliança com parte considerada majoritária do PMDB. Isso pode tornar essas forças de centro-esquerda majoritária no Congresso", justifica Lupi.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirma que "tudo isso são coisas para discutirmos depois das eleições". Ele admite que a frente ampla não incluiria o PMDB, "que tem características mais próximas ao centro". "Sou favorável a ter uma aliança forte na base do governo. O acordo PT-PMDB é positivo. Se a gente conseguir uma aproximação maior das forças populares fica melhor (para o governo)", explica.

Árdua defensora da reforma política, a deputada Luíza Erundina (PSB-SP) vê na criação da frente a esperança para mudanças no sistema político-eleitoral brasileiro. "Numa sociedade heterogênea como a nossa não dá para imaginar um bipartidarismo (PT x PSDB)", defende ela. "Lula é a pessoa que tem as melhores condições de liderar essa discussão."

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