Frente fria causa danos em cidades paulistas

A velocidade dos ventos que atingiram a região de Piracicaba nesta quarta-feira chegou a 158 km/hora, batendo o recorde histórico. O último registro de um vendaval semelhante é de 1968, quando a velocidade dos ventos foi de 138 km/hora. A medição foi feita pelo departamento de agrometeorologia da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq/USP).De acordo com o pesquisador e professor Nilson Augusto Villa Nova, há dois meses a região enfrentava um forte calor que elevada umidade do ar. "A massa de ar quente era tão intensa que as frentes frias eram desviadas. Desta vez, a frente fria conseguiu furar o bloqueio, resultando em um movimento ciclônico de ar ascendente".Villa Nova explicou que o fenômeno, que pode ser chamado de vendaval, ocorre porque o ar frio encontra a massa de ar quente e isso gera uma pressão muito forte e rajadas de ventos velozes. "A probabilidade de acontecer fenômenos como este é uma vez a cada trinta anos", disse Villa Nova.A meteorologista do Centro de Previsão do Tempo (Cptec/Inpe), Kelen Andrade, também explicou que este fenômeno não é um ciclone, mas tem características semelhantes, já que o vento sobe na atmosfera e gira no sentido horário, provocando os estragos."Também não pode ser chamado de tornado, porque não houve funil nem um caminho percorrido na terra pelo vento durante a tempestade". O que colabora para a instabilidade do tempo são as águas do Oceano Atlântico que estão até dois graus acima do normal."Para mim isso é pura atividade vulcânica submarina. O centro da terra está irado", argumento o professor Villa Nova. "Há quinze quilômetros daqui não houve nenhum problema, mas na cidade de Americana, os estragos foram semelhantes".Só no campus da Esalq o vendaval derrubou cerca de 500 árvores. Até a tarde desta quinta-feira, 30, todos os semáforos de Piracicaba ainda estavam sem funcionar por causa dos danos causados à rede elétrica.

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