Fretados cobram mais fiscalização

Setor quer que ''piratas'' sejam punidos e que não haja restrições

Felipe Grandin, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2009 | 00h00

Representantes de empresas de ônibus fretados afirmam que as irregularidades cometidas por motoristas não podem ser usadas como justificativa para restringir todos os 5.439 veículos registrados em São Paulo. A Secretaria Municipal de Transportes se baseou em estudo que mostra que 40% dos fretados desrespeitam as regras de circulação, para editar portaria proibindo a circulação dos ônibus na região central. A medida está prevista para entrar em vigor em julho. Segundo integrantes do setor de fretamento, as irregularidades devem ser resolvidas com fiscalização. "Se existem clandestinos, a Prefeitura tem de multar ou apreender esses ônibus", diz Celso Vieira Rutkowski, diretor executivo do Assofresp, que reúne as pequenas e médias empresas de fretamento. "Somos favoráveis à fiscalização. O que não pode acontecer é quem está correto pagar pelos irregulares." O secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, afirmou que os clandestinos atuam principalmente na zona leste e fazem itinerários de linhas comuns, o que não é permitido. Segundo ele, a pasta mapeou as rotas e vai aumentar a circulação de ônibus comuns nesses locais, mas não informou quais são. "Hoje o que temos é a desregulamentação total do setor", afirmou. "Se a população tem todo dia a restrição do rodízio, também é justo que quem circula de fora tenha restrição."A SMT apresentou duas propostas: uma proibia fretados na área do centro expandido e criava cinco bolsões de estacionamento em estações de trem e metrô. A outra impedia o acesso à Zona Máxima de Restrição de Circulação, onde há a restrição a caminhões, e cria oito paradas. As empresas afirmam que a mudança vai inviabilizar a atividade, pois a maior parte dos veículos passa pela região central. Os representantes do setor teriam até ontem à noite para entregar uma contraproposta. A pasta diz que vai analisar todas as sugestões.O engenheiro de trânsito Horácio Figueira critica a proibição. "Qualquer sistema de transporte coletivo, desde que não seja pirata e tenha registro, alivia o trânsito, pois retira carros das ruas", diz. "O serviço de fretamento atende a uma demanda que não é absorvida pelo transporte público", afirma a urbanista Silvana Maria Zioni. "Lamentavelmente, o sistema metropolitano não oferece alternativa de qualidade e eles são uma resposta à deficiência."

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