Freud Godoy confirma encontros, mas nega compra de dossiê

O assessor especial da Secretaria da Presidência da República Freud Godoy, citado durante depoimento de Gedimar Passos, um dos presos pela tentativa de compra de um dossiê contra candidatos tucanos, disse nesta segunda-feira, 18, que vai se apresentar espontaneamente à Polícia federal. Godoy afirmou em entrevista ao Jornal Hoje, da TV Globo, que poderia se apresentar ainda nesta segunda-feira.O assessor anunciou que vai se afastar do cargo até que as denúncias sejam apuradas. "O presidente me ligou e disse que ficou preocupado com a questão de quebra de confiança e eu coloquei que se ´o problema do senhor de governar e de campanha for esse, o senhor pode colocar a cabeça no travesseiro e dormir muito tranqüilo porque tenho como afirmar e como provar que eu não tenho nada a ver com isso´", explicou.Em depoimento publicado pela revista IstoÉ, na sexta-feira, Gedimar fez referência à pessoa do PT que teria dado a ele a missão de realizar o pagamento dos emissários de Vedoim em troca das informações. O mandante seria Freud. Outro ponto que coincide com o depoimento de Gedimar é que a mulher de Freud tem mesmo uma empresa de segurança.Em São Paulo, Freud Godoy confirmou que se encontrou quatro vezes com Gedimar Passos, em Brasília, mas negou qualquer envolvimento com a compra dos documentos.Durante a entrevista, Godoy confirma que a mulher tem mesmo uma empresa de segurança e que ele é funcionário da secretaria. "Isso tudo é verdade. Agora, que eu fiz esse tipo de negociata, de pegar dinheiro, ou mandar alguém fazer alguma coisa, eu quero ver como ele vai provar isso."Godoy trabalhou na equipe de segurança do então candidato Luís Inácio da Silva. Hoje, ele é funcionário da secretaria particular da Presidência da República, como informa o site oficial do governo.EncontrosSegundo Godoy, ele foi apresentado a Gedimar por Jorge Lorenzetti, há um mês, no diretório nacional do PT, em Brasília. Ele cuidaria da segurança e da logística do Comitê de Campanha de Lula à reeleição.Segundo a entrevista de Godoy, "ele (Gedimar) era funcionário direto registrado do diretório do PT, mas como foi contratado não faço a menor idéia". No segundo encontro, Gedimar e Godoy decidiram como seria feita a varredura do telefone do comitê. A empresa da esposa de Freud foi contratada para o trabalho.Eles se viram pela terceira vez durante execução do trabalho e, no último encontro, na presença de Jorge Lorenzotti, nem chegaram a conversar. Godoy disse que está disposto a abrir seu sigilo telefônico para facilitar as investigações e hoje cedo afirmou que deu explicações por telefone diretamente a Lula.

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