Frota de A320 da TAM tem ao menos 3 falhas por mês

Problemas impedem uso dos aviões, mas incidência é considerada normal por vice-presidente da empresa

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2006 | 00h00

A frota de 61 Airbus A320 da TAM registra, pelo menos, três falhas que impedem suas decolagens todo mês. A empresa informa que o número está dentro dos padrões para aeronaves que voam em média 10 a 12 horas por dia e fazem um pouso e uma decolagem a cada 1 hora e 20 minutos. Os números da manutenção da empresa chamaram a atenção depois que se tornou público o histórico de defeitos do A320 prefixo MBK, que se chocou com o prédio da TAM Express em 17 de julho. Antes de varar a pista de Congonhas e provocar o maior acidente aéreo da história do País, com 199 mortos, a aeronave havia apresentado problemas no reverso direito, que foi travado, um aumento de temperatura da turbina direita e o mau funcionamento de um sensor de um de seus trens de pouso.Tudo isso é considerado normal. Muitos desses problemas não seriam defeitos, mas apenas o resultado de situações como a temperatura em altitudes elevadas, que leva à formação de gelo, ou da variação de tensão elétrica na aeronave. O fato de pilotos e mecânicos apontá-los em relatórios faria parte da cultura do setor de incentivar que qualquer possível falha seja informada para que conste do diário de bordo do jato. Um sensor, por exemplo, pode apresentar um defeito num dia e depois voltar ao normal. "Se ele volta a apresentar o mesmo defeito, aí pode ser hora de trocá-lo", disse o vice-presidente Técnico da TAM, Ruy Amparo. "Nossa média de problemas é das mais baixas da aviação mundial", afirmou. "Estamos no mesmo nível da Air France e da Lufthansa."Toda companhia aérea é auditada pelas autoridades aeronáuticas de seu país e das nações para onde voa. No caso da TAM, isso significa que fiscais americanos, franceses, ingleses e italianos podem, a qualquer momento, entrar nos Airbus que a empresa usa em rotas internacionais. Além das autoridades, peritos das companhias de seguro e da própria Airbus também inspecionam as aeronaves. Os problemas ocorridos com a frota de uma empresa não podem ser muito maiores do que os das demais operadoras daquele tipo de avião.A maior parte dos problemas ocorridos com o Airbus prefixo MBK não exige comunicação às autoridades aeronáuticas, mas fica anotada no livro de bordo e nos registros de manutenção do avião. Ocorrências com risco para os passageiros devem ser informadas à Agência Nacional da Aviação (Anac), tornando-se um incidente. Mas, quando, por exemplo, o avião tem de retornar ao pátio quando se preparava para decolar na cabeceira da pista, é feito um relatório de dificuldade de serviço, que também é enviado à Anac. É esse tipo de falha, que impede decolagens, o registrado nos A320 da TAM na proporção de três por mês."Nos 90 dias que antecederam o acidente, não foi encontrado nada de significativo na vida do avião", afirmou Amparo. O aquecimento da turbina direita, disse ele, ficou apenas 20 graus acima da temperatura ideal e muito abaixo do limite de 600 graus. No caso do sensor do trem de pouso, tratou-se de um problema que desapareceu em seguida. E a falha não impediria a decolagem do avião por se tratar de um sistema duplicado.Segundo a TAM, a empresa gasta US$ 250 milhões por ano com manutenção de suas aeronaves - metade desse custo se deve a gastos com os motores. Outros 30% dos custos da manutenção são gastos com componentes. O dinheiro gasto para revisar os aviões representa até 12% do custo total de uma empresa aérea como a TAM.

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