Frota de automóveis no interior de SP cresce mais que na capital

Na maioria dos municípios fora da região metropolitana, dois terços das viagens são feitas com veículo próprio

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

05 de novembro de 2008 | 00h00

A frota de veículos do Estado cresce mais no interior e na Baixada Santista que na capital. Além de São Paulo, há 11 municípios paulistas com frota superior a 200 mil veículos - eram cinco em 1998. Nas "capitais regionais" de Campinas, Santos e Sorocaba, os congestionamentos e as limitações do transporte público são desafios que já entraram na agenda das administrações municipais. Bilhete único, restrições a caminhões e garagens subterrâneas, projetos lançados na capital nos últimos anos, começaram a ser adotados por essas prefeituras. Um levantamento feito pelo Estado, com base em dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) e da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), mostra que o interior registrou, entre 2000 e 2008, crescimento maior em todas as modalidades de veículos, em comparação com São Paulo. Entre janeiro de 2000 e setembro de 2008, o número de carros licenciados fora da capital paulista passou de 12.425.781 para 18.495.820 - um crescimento de 32,84%. No mesmo período, na capital, o crescimento foi de 22,3% - eram 4.948.139 veículos em 2000 e agora são 6.270.651.Para Jurandir Fernandes, presidente da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), a vantagem do interior é poder observar as medidas adotadas em São Paulo e se antecipar na adoção de políticas preventivas. "Duas medidas que já podem ser adotadas em cidades de médio porte são a proibição do estacionamento de veículos em espaços nobres e a mudança de terminais de ônibus de regiões centrais para os bairros", defende. "Não podemos permitir que um carro fique o dia inteiro parado em uma vaga no centro."O número de ônibus também cresceu mais no interior. Em janeiro de 2000, eram 96.828 coletivos; agora são 121.148 - um aumento de 25,1%. Na capital, o crescimento foi de 14,6% - de 36.241 para 41.521. O interior também bate a capital em registros de caminhões: crescimento de 16,2%, ante apenas 0,5% entre os paulistanos. Até em relação às motos São Paulo, onde existem 300 mil motoboys, perde para o interior, onde o crescimento foi de 58,7% entre janeiro de 2000 e setembro deste ano, com as motos em circulação indo de 1.383.499 para 3.351.321. Na capital, em período igual, a variação foi de 348.098 para 729.458, um crescimento de 52,3%."Na maioria das cidades do interior, dois terços das viagens são feitas com veículos próprios, enquanto na capital esse número não passa da metade", observa o engenheiro de Trânsito e professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) Jaime Waisman. "Ainda é um orgulho para as cidades menores esse grande crescimento da frota, mas a população não se deu conta de que está dormindo com o inimigo." Waisman acredita que o fato de o interior apresentar ruas estreitas, principalmente nas regiões centrais, contribui para os congestionamentos. COLABOROU RENATO MACHADO

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