''FT'' vê assento em conselho da ONU em risco

A política externa adotada pelo Brasil pode colocar em risco a obtenção de um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), diz artigo publicado hoje no Financial Times. "A política de arco-íris do Brasil pode estar atingindo o seu limite", diz o articulista John-Paul Rathbone.

Daniela Milanese, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

Ao citar a posição do País com Cuba e Irã, ele afirma que "gafes recentes esticaram a fronteira da imagem adocicada do Brasil e também o seu presidente".

Segundo Rathbone, o País se tornou importante no cenário mundial, praticamente sem ninguém perceber. Na primeira participação em uma reunião do G-8, há seis anos, era um observador. Na época, o Brasil tinha mil diplomatas ao redor do mundo. Agora, possui 1.400.

Na semana passada, Brasília sediou a segunda reunião de cúpula dos países do BRIC. "Brasil, Rússia, Índia e China têm um papel fundamental para criar uma nova ordem internacional", disse Luiz Inácio Lula da Silva, na ocasião. Para o FT, esse é o tipo de "linguagem imperial" esperada da Rússia ou China, mas no caso de Lula fica "açucarada pela imagem de homem comum do ex-líder sindical de 64 anos" - ou "o cara", como disse o presidente americano, Barack Obama.

Para o articulista, os líderes brasileiros não mostram desconforto em receber, num dia, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton e, no outro, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, já que o governo planeja uma visita a Teerã em maio. O Brasil também reconheceu a vitória do líder iraniano nas eleições, consideradas duvidosas.

O artigo também cita o comentário de Lula sobre a greve de fome do ativista cubano Orlando Zapata, em fevereiro. Na ocasião, Lula disse que a atitude não deveria ser usada como forma de protesto para libertar pessoas em nome dos direitos humanos, apesar de ele próprio ter feito greve de fome contra a ditadura militar no Brasil.

Para Rathbone, o principal desafio virá após as eleições de outubro, quando o Brasil ficará sem a cobertura do "charme" de Lula. "A imagem de um império carinhoso pode não resistir."

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