Fuga frustrada vira motim no RJ

Cerca de duzentos e vinte presos tentaram fugir da Casa de Custódia Dalton Crespo de Castro, em Campos, município do norte fluminense, nesta madrugada. Policiais militares perceberam a movimentação, soaram o alarme e a cadeia foi cercada por 30 homens da corporação. Com isso, os detentos passaram a queimar lençóis e colchões, destruíram as celas e, armados com barras de ferro, subiram para o telhado, dando início a uma rebelião às 3h30. No fim da tarde, a PM anunciou o final do motim.O comandante do batalhão da PM em Campos, coronel Jorge Ismael Ferreira Horsae, entrou na casa de custódia para negociar com os presos e, por volta das 11 horas, liberou a entrada de parentes para a visita, que deveria ter começado às 9 horas. Para o policial, que permaneceu o tempo todo no local, vigiado por mais de 100 PMs, a presença de familiares ajudaria a acalmar os ânimos dos presos, o que de fato aconteceu. Os presos exigiram a substituição do diretor da unidade, o sargento Fernanndo Prazeres, de policiais que fazem a segurança, melhoria na alimentação, mais tempo para as visitas e assistência médica e jurídica. "A direção estava sendo ocupada interinamente. Como nós já temos um nome definido, esse nosso policial militar vai fazer as vezes de diretor", afirmou o coronel, referindo-se ao sargento César Luiz Nunes de Souza. Outra reivindicação dos rebelados era a transferência de oito presos, entre eles cinco acusados por estupro e outro por homicídio. Eles foram tomados como reféns e acorrentados a botijões de gás, que os detentos ameaçaram explodir em caso de invasão policial. De acordo com a polícia, os rebelados teriam tentado matar essas pessoas durante a madrugada. O preso Luiz Cláudio da Silva Ribeiro, de 32 anos, foi hospitalizado com fraturas nos braços e costelas. Outros detentos, feridos com menor gravidade, foram atendidos pelo Corpo de Bombeiros, que atuou também no combate ao fogo na casa de custódia. Inaugurada há dois meses, a unidade tem capacidade para abrigar 500 detentos e é chamada pelos presos de "cadeia de papel", devido à fragilidade de suas paredes.

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