Fugitivo é recapturado após matar dois policiais e fazer grávida refém

Sequência de crimes, que ocorreram entre Jundiaí e São José, começou no dia 22, quando rapaz roubou carro

Simone Menocchi, O Estadao de S.Paulo

29 de janeiro de 2009 | 00h00

Em menos de 16 horas, Willian Ferreira da Silva, de 29 anos, matou dois policiais, roubou uma viatura da Polícia Rodoviária, foi perseguido pelo helicóptero Águia da PM, tentou assaltar uma advogada e fez uma grávida refém. Os crimes aconteceram entre Jundiaí, no interior paulista, e São José dos Campos, no Vale do Paraíba. Ele foi preso no fim da manhã de ontem.A sequência de crimes começou na manhã do dia 22, quando Willian roubou uma Toyota Hylux de um engenheiro da Embraer, em São José dos Campos. Às 19h40 de anteontem, o criminoso se envolveu em um acidente com outros três veículos, no km 51 da Rodovia dos Bandeirantes, em Jundiaí. O policial rodoviário Erivelton Augusto Zanatelli, de 30 anos, estava sozinho quando parou para prestar socorro.Abordado pelo policial rodoviário, Willian disparou, à queima-roupa, e atingiu Zanatelli no rosto, no pescoço e nos braços. Uma bala se alojou em seu colete. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Willian então fugiu com a viatura do policial e abandonou o carro no km 58 da Rodovia dos Bandeirantes. O helicóptero Águia foi acionado para tentar localizá-lo, sem sucesso. Ali, o criminoso pegou uma carona até São Paulo, onde tomou um ônibus para São José dos Campos.IGREJAEle chegou à cidade por volta das 8 horas de ontem e tentou assaltar uma casa no Jardim Esplanada. Ao ver uma mulher - segundo a PM, uma advogada - saindo de casa em um carro, anunciou o assalto e a fez refém. A mulher tentou acalmar o bandido e o conduziu até a Igreja Universal do Reino de Deus, no centro da cidade.Algumas pessoas dentro da igreja perceberam o comportamento estranho de Willian. Foi então que o sargento Francisco José Atanázio se aproximou, à paisana, do ladrão para perguntar o que ele fazia ali. "Nesse momento, Willian perguntou se ele era policial e o sargento balançou a cabeça em sinal de positivo. Não teve tempo de reagir, levou um tiro à queima-roupa", disse o delegado Osmar Henrique de Oliveira, responsável pelas investigações.O policial, de 42 anos, chegou a ser socorrido, mas acabou morrendo em seguida. Ele estava na corporação desde 1986. Rapidamente Willian conseguiu fugir da igreja com a arma em punho, fazendo ameaças a quem tentasse detê-lo. Correndo pela rua, decidiu entrar em uma casa. Arrombou a porta com um pontapé e invadiu o quarto da grávida Juliana Medeiros de Carvalho, de 25 anos, que dormia naquele momento. Em perseguição, os policiais chegaram à casa e cercaram o local. Começaram então as negociações para que ele libertasse a vítima.Juliana também tentava tranquilizar o sequestrador, que fazia ameaças o tempo todo. "Pedia para que ele não me matasse, contei que estava grávida e perguntei se ele tinha filhos." Willian acabou dormindo num colchão na sala da casa, oportunidade em que Juliana fugiu. Meia hora depois, a polícia entrou na casa e fez a prisão. FUGITIVOLevado para a delegacia, ele estava com duas armas: uma pistola .380, que havia tirado do PM Atanázio, assassinado na igreja, e um revólver calibre 38, com a sigla DER (Departamento de Estradas de Rodagem), o que levantou a suspeita de que ele teria assassinado o policial rodoviário em Jundiaí. Questionado pelo delegado Osmar de Oliveira, Willian acabou confessando os crimes. "Ele disse tudo friamente, não se abalou. É um homem perigoso e calculista."O criminoso foi levado para a cadeia pública de Jacareí. Willian era foragido há quatro meses da Penitenciária de Potim, no Vale do Paraíba, onde cumpria pena de sete anos por latrocínio - há dois anos, ele matou uma comerciante durante assalto em São José dos Campos.

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