Fugitivo retoma negociações na presença de familiar

Somente depois de mais de dois dias de um rapaz render uma família e fazer reféns uma mãe e seus dois filhos, no Jardim Novo Campos Elíseos, na periferia de Campinas, a Polícia conseguiu a identidade do assaltante. Trata-se de Gleison Flávio de Salles, conhecido como Madruga ? foragido do sistema prisional. A Polícia retomou, às 16h30, as negociação com o assaltante, depois de conseguir encontrar uma mulher parente do assaltante. Ainda assim, continua o drama da atendente Mara Sílvia Souza, de 30 anos, e de seus dois filhos - feitos reféns desde as 12h30 de terça-feira, 24. No início da manhã desta quinta-feira, 26, a PM já tinha retomado as negociações com o assaltante, que pediu dois extintores de incêndio, repetindo a exigência que havia feito durante a negociação que ocorreu de madrugada. Mais cedo, a PM não cedeu à exigência do assaltante justamente por não saber o que ele faria com os extintores pedidos. Segundo coronel Eliziário Barbosa, comandante do Policiamento do Interior, a exigência não pôde ser cumprida. "Não sabemos o que ele pretende com esses extintores. Pode ser que pense em fazer uma cortina de fumaça", disse. O major Casagrande também cogitou esta possibilidade. De acordo com Pms, a Polícia trabalha com a possibilidade de o rapaz ter se inspirado no filme O negociador, em que o personagem Scott Roper, interpretado por Eddie Murphy, negocia os extintores, troca de roupa com um dos reféns e faz uma cortina de fumaça. No filme, exibido na último domingo, 15, pela Globo, a vítima acaba sendo confundida com o criminoso e é acertada com um tiro da polícia. A atendente Mara Sílvia Souza, de 30 anos, e os filhos Thiago, 7, e Victor, 10, estão detidos desde a última terça-feira na própria residência, depois de terem sido dominados pelo suspeito, que fugia de uma perseguição policial durante uma tentativa de assalto. Um dos filhos de Mara, Murilo, 3, foi libertado ainda na terça e passa bem. O coronel Barbosa não descartou a possibilidade do uso de atiradores de elite no desfecho do caso. "O Grupo de Ações Táticas e Estratégicas (Gate) veio preparado para começar a negociação e terminar como for necessário." A identidade do suspeito ainda não foi confirmada pela polícia. Segundo o major Casagrande uma possível irmã de Ivanildo, como o suspeito se identificou, foi encontrada, mas ainda não se sabe se ela está falando do mesmo homem que está dentro da casa. Hora a hora do cárcere Terça-feira: 11h50 - O criminoso rouba um videogame em uma loja no bairro Campos Elísios, em Campinas, e foge a pé. Um policial que fazia bico como segurança do local inicia uma perseguição 12 horas - Na Rua Coronel Pompeu de Camargo, o ladrão troca tiros com o policial. Depois invade uma casa e pula 3 muros até chegar à residência de Mara Souza 12h10 - Ele encontra a dona da casa e a faz refém junto com seus três filhos, Murilo, Victor e Thiago, de 3, 7 e 10 anos, respectivamente 13 horas - A polícia inicia a negociação 16 horas - O criminoso aceita trocar Murilo, de 3 anos, por um colete à prova de balas 17h30 - Isnaldo Soares de Oliveira, pai das crianças, chega para acompanhar as negociações 20 horas - Chega apoio do Grupo de Operações Tática Especiais (Gate). Nesse momento são cerca de 60 policiais em volta da casa 20h30 - A polícia corta a energia elétrica e a da água da casa Quarta-feira: 5h30 - O bandido joga pela janela um radiocomunicador que havia sido entregue pela polícia 11h45 - O pai das crianças recebe uma ligação vinda do celular de Mara. O ladrão pedia cigarro. A polícia diz que atenderia em troca de outro refém. O criminoso nega e ainda pede um carro para fugir 13h30 - Oliveira recebe outra ligação. Mara diz que aceita sair da casa como escudo do assaltante em troca da libertação dos filhos. A polícia nega 17h30 - O criminoso pede outro colete à prova de balas para liberar mais um refém, mas depois voltou atrás Quinta-feira: 00h30 - Seqüestrador pede dois extintores durante a negociação mas desiste da idéia. Polícia acredita que ele possa fazer uma cortina de fumaça para fugir. 08h30 - Seqüestro já dura 44 horas e é o mais longo do Estado. 09h40 - Criminoso volta a pedir os extintores e polícia negocia a libertação das duas crianças em troca dos equipamentos. 17 horas - O seqüestrador volta a negociar

Agencia Estado,

26 Abril 2007 | 17h07

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