Fumaça de vulcão afeta voos na Europa, sem cancelamento em massa

Milhares de passageiros foram forçados a cancelar planos de viagem depois que as cinzas de um vulcão na Islândia causaram o cancelamento de ao menos 500 voos nesta terça-feira, mas autoridades garantiram que o tráfego aéreo da Europa será menos afetado dessa vez do que em 2010.

MICHAEL HOLDEN E OMAR VALDIMARSSON, REUTERS

24 de maio de 2011 | 15h53

Apesar da erupção do vulcão mais ativo da Islândia estar perdendo força, um rastro de cinzas vem aumentando na cidade de Grimsvotn desde sábado, se dirigindo para o sul e atingindo a Escócia e partes do norte da Grã-Bretanha, forçando o cancelamento de voos.

Entre os viajantes afetados está o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que deixou a Irlanda antes do previsto rumo à Inglaterra, na noite de segunda-feira.

O time do Barcelona também antecipou, para esta terça-feira, sua viagem a Londres para a final da Liga dos Campeões contra o Manchester United, no sábado.

"No momento, achamos que Glasgow e Edimburgo serão afetados esta tarde, mas devem estar voltando ao normal amanhã de manhã", disse o secretário dos Transportes britânico, Philip Hammond, à BBC TV.

A agência europeia de tráfego aéreo, a Eurocontrol, disse que cerca de 500 voos foram cancelados nesta terça-feira.

Não houve relatos imediatos de ameaças maiores em aeroportos como Heathrow, de Londres, mas controladores da Dinamarca, Noruega e Suécia previram contratempos para quarta-feira.

A Companhia aérea holandesa KLM cancelou dois voos para a Noruega.

Mais de dez milhões de pessoas foram afetadas devido ao fechamento por seis dias do espaço aéreo europeu que cancelou mais de 100 mil voos, em abril do ano passado, em consequência da fumaça expelida também por um vulcão islandês. As companhias aéreas calcularam suas perdas de receitas em 1,7 bilhão de dólares.

A Eurocontrol, entidade sediada em Bruxelas responsável por alguns dos corredores aéreos mais movimentados do mundo, disse que o impacto sobre voos deve ser bem menor desta vez, devido a novos procedimentos.

No entanto, teme-se alguma desordem causada pela discordância quanto à aplicação dos procedimentos. Fontes informaram à Reuters que um avião de pesquisa britânico destinado a recolher amostras de cinzas permaneceu no solo pelo segundo dia seguido nesta terça, devido a discussões sobre seu uso.

Autoridades dizem que as novas regras que permitem que as companhias aéreas voem apesar das cinzas sob determinadas condições e uma melhor coordenação pelos órgãos da aviação civil significam que o caos em massa será evitado.

No entanto, esses procedimentos não são aceitos por todos, com a Alemanha, que apoia uma posição mais rígida em prol da segurança, disseram fontes da aviação.

O serviço meteorológico da Alemanha advertiu que a nuvem de cinzas poderia causar o fechamento temporário de aeroportos em Hamburgo e Bremen a partir da meia-noite e, mais tarde, possivelmente em Berlim.

O centro de estudo de cinzas do serviço meteorológico da Grã-Bretanha disse que sua previsão mais recente não mostra cinzas de alta densidade sobre a Grã-Bretanha ou a Irlanda nesta quarta-feira, e apenas um nível médio em partes da Escócia. A previsão mostrou níveis de alta densidade em partes dos Países Baixos, nordeste e norte da Alemanha.

(Reportagem de Simon Johnson, Patrick Lannin e Tim Hepher; Reportagem adicional de Carmel Crimmins em Dublin e Philip Blenkinsop em Bruxelas)

Tudo o que sabemos sobre:
AEREASVOOSVULCAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.