Fumante esporádico deve largar o hábito

Quem só acende cigarro quando bebe agora promete parar de fumar

, O Estadao de S.Paulo

08 Agosto 2009 | 00h00

A lei antifumo pode ter decretado o fim de uma categoria que já fazia parte da noite paulista, porém, nunca antes foi detectada por pesquisa. O tal fumante social, aquele que acende o cigarro só quando pede um copo de cerveja (ou taça de vinho), começou a entrar em extinção. As tragadas eventuais, dadas só em fins de semana, agora foram dificultadas pelo trajeto imposto pela legislação. Sair, deixar a bebida na mesa (algumas casas exigem isso), fumar embaixo do sereno e voltar à mesa ficou muito complicado para quem só queria um "companheiro" para a noite. Bastaram seis horas na noite, para o Estado atestar esta e mais algumas transformações. "Só fumo de brincadeira, então não vou trocar o som da balada para fumar na calçada", dizia a publicitária Fernanda Dias, de 24 anos, que só fuma quando sai, apesar de ter compromissos de quarta a sábado. O maço de Marlboro light, que fica apenas na bolsa usada para sair, promete ela, permanecerá por lá - esquecido. Mas como a "fauna urbana" está em constante adaptação, é fato que novos comportamentos também "nasceram" com a lei antifumo. A eterna dúvida na cabeça masculina - "por que é que as mulheres sempre vão em dupla no banheiro" - começa a disputar espaço com "o que será que elas tanto conversam enquanto fumam". Isso porque o convite da amiga para que a outra a acompanhe ao toalete - desculpa esfarrapada para fofocar sobre a roupa da fulana ou a beleza do ciclano - ganhou um concorrente de peso com a eliminação do fumo interno. "Ju, vamos lá fora fumar comigo?", comprovava a tese uma jovem que estava no Genésio, na Vila Madalena, zona oeste, ao repetir o convite à colega a cada 15 minutos. Outra mudança atestada foi a força da aversão aos flashes. Com insistência, eles permitiam que um detalhe da mão ou perfil contra a luz fosse fotografado. Nomes fictícios em vez de identidades verdadeiras também eram solicitados . O fumante ficou envergonhado em São Paulo. "Fumar agora é como transar sem camisinha. Todo mundo nega que faz", alegava Fabiana, ou talvez Joana, de 26 anos, para não permitir sua foto diante de um bar. Já para os meninos que aproveitavam as férias esticadas pela faculdade (Mackenzie), o motivo da vergonha era outro. "Nossos pais não sabem que a gente fuma, então, não tira foto da gente, não", pedia uma delas. É fato que o constrangimento durava alguns goles. Depois de certo tempo, fumar virava mais um ato de protesto. Baforadas eram intercaladas por pedidos de liberdade. "É fascista. A lei é fascista", esbravejavam. Destaque também ganhou um hábito recorrente, que sempre pareceu perdoado pelo coletivo. As pobres bitucas sempre tiveram a sarjeta como destino, mas agora há movimento para que um "lugar mais digno" seja criado. Cinzeiros públicos, porta bituca e lixo especial são só algumas ideias que já surgiram.

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