Fumantes dizem que não vão deixar de sair por causa da lei

Agora, associações de bares temem que cliente fique menos tempo nos estabelecimentos

Fernanda Aranda e Luísa Alcalde, O Estadao de S.Paulo

03 Agosto 2009 | 00h00

A lei antifumo, a mais restritiva ao uso do cigarro já existente, vai interferir muito pouco no comportamento do fumante de São Paulo. Pesquisa InformEstado, realizada com 148 pessoas que fumam, mostra que 85,5% delas não vão deixar de sair nem de frequentar bares, restaurantes, casas noturnas e teatros. A maioria (86,5%) também alega que vai respeitar as novas determinações.O impacto no movimento dos recintos comerciais, em especial os ligados à diversão noturna, foi a principal bandeira das entidades do setor que rechaçam a medida. Durante a fase de regulamentação, as associações falaram em fuga de clientes, queda no faturamento e demissão em massa de funcionários. Os temores declarados agora são outros. "Nós nunca afirmamos isso (fuga de clientes). O que dissemos é que o tempo em que um fumante, após a restrição, iria ficar nos bares e restaurantes vai diminuir de duas horas para meia hora, em média", diz o assessor jurídico da Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo (Abresi), Marcus Vinicius Rosa. Nos cálculos do advogado Percival Maricato, assessor jurídico da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), entre 5% e 10% dos clientes devem ficar menos tempo dentro dos estabelecimentos e 5% deixarão de frequentá-los. "Pode parecer um porcentual pequeno, mas para nós é uma queda monstruosa. Suficiente para deixar muitos bares e restaurantes em dificuldades."Os prejuízos econômicos ressaltados pelos críticos são rebatidos com ganhos à saúde, citados pelos profissionais da medicina. Jaqueline Issa, pneumologista do Instituto do Coração (Incor), diz que o efeito do fumo passivo é devastador, respondendo pela terceira causa evitável de morte no País. Pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) fala em sete mortes por dia de pessoas que não fumam por causa do cigarro.Se os fumantes não cogitam parar de sair por causa das restrições, a calçada, mostra pesquisa InformEstado, será o principal refúgio: 63,6% dos entrevistados disseram que vão procurar o ambiente externo, em vez de controlar o vício enquanto estiverem fora de casa. Isso pode explicar a corrida de bares para conseguir permissão para colocar mesas do lado de fora do recinto. Um levantamento da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras da capital mostra que, após a sanção da lei, dez estabelecimentos pediram autorização da Prefeitura para colocar mesas nas calçadas. Ainda que surjam como principal opção dos fumantes, também existem restrições ao fumo na calçada. Pelas normas municipais, as mesas só podem ficar do lado de fora até 1 hora. "Além disso, se o espaço externo não for isolado do ambiente interno por vidro ou porta e existirem proteções laterais (cortinas plásticas), o fumo não é permitido", explica o secretário de Estado da Justiça, Luiz Antônio Marrey.

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