Fumantes ignoram restrições em restaurantes e shoppings

As placas orientando sobre a proibição de fumar estão dispostas em corredores, paredes e elevadores da maioria dos shopping centers da cidade. Mesmo assim, muitos fumantes ainda ignoram as determinações da Lei Federal 9.294, de 1996, e continuam soltando baforadas nas áreas de circulação e até em praças de alimentação desses locais. Em alguns shoppings, como o Center Norte, acender um cigarro em uma mesa de restaurante pode ser um ato corriqueiro. ?Acho errado fumar em shopping, até porque tem muita criança por perto, mas, se tem cinzeiro, é sinal de que não existe restrição?, diz a estudante Karen Arruda. Para ela, a maior parte dos freqüentadores fumantes acaba se descontraindo enquanto caminha pelos corredores. ?É natural querer fumar.? O supervisor de call center Sérgio Campos não se considera um viciado, mas não hesita em acender o cigarro enquanto passeia pelo shopping. ?Se não tem placa de advertência, não tenho como saber se é proibido ou não. Não fumo onde há orientação proibindo?, afirma. Campos não observou, entretanto, que grande parte dos cinzeiros dispostos no Center Norte trazem a advertência e até o número da lei que proíbe fumar no local. ?É uma afronta a lei estar escrita justamente num cinzeiro. As pessoas estão se esquecendo de usar a coerção para fazer a lei funcionar?, diz o advogado Mario Albanese, autor do livro Legislação Sobre Tabagismo e presidente da Associação de Defesa da Saúde do Fumante. Segundo a Assessoria de Imprensa do shopping, é proibido fumar no interior do Center Norte. O centro de compras tem áreas externas destinadas a fumantes, todas sinalizadas. Em nota, a empresa informou que funcionários orientam os clientes que estão fumando a apagar o cigarro ou dirigir-se à área destinada ao hábito. Além disso, os cinzeiros são usados para que os clientes, eventualmente abordados pelos funcionários, possam apagar o cigarro. Os cinzeiros também servem para o descarte de lixo como papéis de bala e copos. ?Acho um absurdo as pessoas continuarem ignorando as placas, é uma falta de respeito com quem não fuma?, reclama a veterinária Cristina de Menezes, que costuma freqüentar o Shopping Iguatemi. Apesar da reclamação da cliente, poucas pessoas se atrevem a acender o cigarro nos pisos superiores. No térreo, entretanto, isso é mais comum. ?É exagerado impedir que o cliente fume dentro do shopping?, diz um comerciante que não quis se identificar. ?Sempre que acendo um cigarro, vem um segurança me pedir para apagar. É até constrangedor.? Restaurantes ? Para Albanese, restaurantes deveriam ser outro alvo da lei. ?É pura hipocrisia dizer que as alas para fumantes garantem o direito do não-fumante?, diz. ?A lei é clara e proíbe fumar em recinto coletivo privado ou público, salvo em área destinada exclusivamente para esse fim.? A frase, no entanto, dá margem a interpretações dúbias. O advogado Paulo Lara, autor do livro Fumo Sim, E Daí?, diz que a lei não impede, mas limita que se fume em determinados locais. ?Ninguém pode proibir ninguém de fumar.? Na dúvida, restaurantes da capital estão tentando se adequar para não desagradar aos clientes. O Viena é um exemplo. Na filial do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, freqüentadores fumantes contam com uma varanda arejada, de frente para a rua. Segundo a gerência da empresa, o cliente é perguntado sobre sua preferência assim que chega ao local. No Restaurante Subito, ninguém fuma. ?O cliente já está doutrinado, mais consciente. Nunca presenciei alguém reclamando que não há ala específica?, diz a relações-públicas Maria Inez Tartoni. Lei ? Mesmo com a desobediência à lei antifumo em alguns espaços públicos, como shoppings, supermercados e restaurantes, os não-fumantes acreditam que conseguiram ?conscientizar? o fumante. ?As pessoas pensam duas vezes antes de acender um cigarro para não levar uma advertência?, acredita a lojista Daniela da Silva. Ao contrário do que ocorreu na época da criação da lei, a Prefeitura não exige mais seu cumprimento com tanto rigor. A fiscalização fica por conta das subprefeituras. Enquanto na época da instituição da lei havia multa até para quem fosse visto fumando em local proibido, hoje as autuações são restritas aos estabelecimentos que não afixam placas informativas. Nesse caso, a multa custa 10 Unidades Fiscais do Município (UFM), hoje equivalentes a R$ 578,60.

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