Fumo já estava banido de boa parte das matinês

Festas para menores de idade proibiam o uso de tabaco antes mesmo da lei; legalmente, desde 1990, eles nem sequer podem comprar produto

, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2009 | 00h00

Maduros o suficiente para andar no banco da frente do carro dos pais, eles nunca sequer estranharam a exigência do cinto de segurança, lei que "nasceu" em São Paulo em 1996, quase o mesmo ano que chegou ao mundo a turma ouvida pela reportagem. "Algum dia foi diferente?", questiona Daniella Rodrigues, de 12 anos, a mais falante do grupo. Ela, assim como os amigos, vai no posto de copiloto para as matinês da capital. E, assim como não reclama do cinto, não torce o nariz para a recente proibição do cigarro no ambiente fechado, como se fosse regra tão antiga quanto a existência do aparelho de DVD. "A nossa geração já vai para balada sem poder fumar no local. É natural", completa a colega de mesma idade, Marina Brihy.

Segundo o Ministério da Saúde, 14 anos é a idade média para a primeira tragada introduzir a pessoa ao vício do cigarro. Evitar a dependência precoce é uma das bandeiras levantadas pelos especialistas ao defender a lei antifumo, em vigor há um mês no Estado. Gabriel Tofoli, de 14 anos, explica como as baforadas na matinê ou na balada poderiam incentivar a curiosidade para o adolescente fumar. "Os meninos acham que vão ficar com cara de mais velhos com o cigarro na mão para conquistar as meninas", diz ele que acha "ridículo fumar".

Ontem, na porta da matinê S4F (ou Saturday for Fun), na Vila Olímpia, zona sul da capital, eram poucos os que seguravam o cigarro, na fila de mais de dois quarteirões que se formou na porta da casa. A reportagem contou apenas oito "fumantes mirins". Diego, Nicolas e Mateus, todos de 14 anos, estavam sentados e degustando mentolados. Os sobrenomes não foram ditos porque os pais dos garotos não sabem que eles fumam.

"Ficamos seis, sete horas na matinê, mas nunca fumamos lá dentro", garantem. "Sempre foi assim, não era permitido fumar mesmo antes da lei. Agora, os seguranças pedem para a gente deixar o maço na entrada, com nosso nome escrito", contam eles, que dizem fumar só "quando saem, sem vício".

Vitor Nery França, de 12 anos, e a amiga Marina Faiad, de 13 anos, acreditam que a internet contribuiu bastante para a geração fumar menos. "Toda doença que você pesquisa em sites aponta o cigarro como responsável", diz Vitor. "Não dá para não ter informação", completa a menina. Ambos falaram que "atormentaram os pais até eles pararem de fumar. "Eu jogava os cigarros do meu pai na água. Até que um dia ele parou", conta com orgulho Marina.

Ainda que protegidos da cortina de fumaça dentro da matinê, a meninada não está imune à sedução e nem às facilidades de conseguir tabaco. Bruno, de 16 anos, comprou um maço de cigarro na padaria ao lado da matinê, sem o menor questionamento, ainda que a legislação proíba a venda do produto para menores de idade desde 1990, legislação que nunca foi cumprida.

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