Funcionária de banco que divulgaria sigilos é presa

Mais um suspeito de integrar o esquema de compra e venda de sigilos telefônico, bancário e fiscal foi preso na manhã de ontem pelo Departamento de Investigações Sobre Crime Organizado (Deic). Selma Giachetti, operadora do Banco Bankpar, holding responsável pela emissão de cartões American Express, é acusada de fornecer a detetives particulares de São Paulo extratos de cartões de crédito de clientes para a quadrilha. Com ela, já são 10 os presos pela Operação Spy 2, desencadeada anteontem por policiais do Deic e promotores do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep), do Ministério Público Estadual. Uma pessoa continua foragida.Ontem à tarde, promotores e policiais começaram a ouvir os suspeitos. Três dos cinco policiais acusados de falsificarem requisições para escutas negaram o crime. Até as 20 horas, os detetives e funcionários de bancos e operadores de telefonia continuavam sendo ouvidos no Deic. Na próxima semana, mais vítimas devem ser chamadas para depor. Estima-se que centenas de pessoas, entre elas empresários e políticos, caso do deputado federal José Aníbal (PSDB-SP), tiveram seus sigilos quebrados ilegalmente.A CPI do Grampo requisitou ao MPE e à polícia cópias dos autos da operação. O presidente da comissão, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), considerou o caso uma prova da banalização de escutas. Com base na análise de documentos, a CPI definirá as convocações. Os primeiros a depor devem ser os responsáveis pela investigação: Ruy Ferraz Fontes, do Deic, e os promotores Márcio Sérgio Christino e Pedro Baracat Guimarães Pereira, do Gecep. Devem ser chamados os detetives acusados de comandar o esquema. Itagiba informou que a CPI, que termina em março, apresentará anteprojeto para a criação do Código Nacional de Interceptações de Comunicações, para aprimorar a lei que regulamentou grampos. Ele defende que a Agência Nacional de Telecomunicações adote sistema rigoroso de fiscalização das operadoras e passe a controlar a comercialização de aparelhos de interceptação. A CPI constatou que, em 2008, foram 224.029 grampos no País, autorizados pela Justiça - número 40% abaixo dos 375.633 de 2007. COLABOROU VANNILDO MENDES

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