Funcionária diz a sindicalistas não se lembrar de ter feito acesso

Servidora da Receita desde 1995, Antonia afirma não se recordar de ter feito consulta ao dados de Eduardo Jorge

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva, analista tributária da Receita desde 1995, disse que não tem filiação partidária nem qualquer vínculo político, e afirmou que não se recorda de ter consultado nos registros da instituição dados relativos às declarações de bens do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira.

"Eu não me lembro de ter acessado esse contribuinte", ela anotou, em conversa informal que manteve com colegas no núcleo jurídico do SindiReceita, o Sindicato Nacional da Carreira Auditoria da Receita em São Paulo.

Ex-secretária-geral da Delegacia Sindical em Santo André e São Bernardo, Antonia procurou os advogados da entidade, à qual continua filiada, para pedir orientação. Demonstrava tranquilidade, segundo relato de auditores, mas estava "muito surpresa" com o envolvimento de seu nome na investigação sobre a quebra do sigilo de Eduardo Jorge.

Antonia sugeriu a possibilidade de ter ocorrido furto de senha, ou seja, alguém pode ter usado, sem consentimento, seu código confidencial para abrir os arquivos da Receita e vasculhar informações sobre o tucano.

Na condição de analista faz parte de sua rotina acessar dados de contribuintes, dentro dos critérios de acesso motivado, isto é, para atender a determinação superior ou ordens judiciais. "Com relação a esse contribuinte especificamente não me lembro", reiterou a seus pares, num primeiro momento. Depois, mais incisiva, negou ter verificado as declarações do tucano.

"Essa história está mal contada, não está cheirando bem", declarou Hélio Bernardes, presidente do SindiReceita. "Por que motivo alguém da Receita deixou vazar exclusivamente o nome de Antonia? Que se divulgue os nomes de todos que tiveram acesso ao arquivo motivadamente. Antonia está bastante tranquila, mas é muito desagradável a exposição de seu nome. Ela não tem histórico político-partidário."

Bernardes disse que sua colega ocupava a titularidade de importante agência da Receita. "É servidora de credibilidade, dedicada. Reitero que acesso imotivado é uma situação, agora vazamento de dados fiscais é outra situação. Quem vazou os dados fiscais não necessariamente foi quem teve acesso imotivado. Pode ter sido alguém que teve acesso motivado, tirou cópia e vazou os dados. Se a corregedoria quer ir a fundo, tem de trazer de volta a origem de todos os acessos a esse CPF."

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