Funcionário confirma visita de Chiquinho da Mangueira a traficantes

Funcionário do Sistema Penitenciário há seis anos, Fernando Silva, de 29, confirmou hoje que o secretário estadual de Esportes, Francisco de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, costumava visitar os traficantes Francisco Paulo Teslas Monteiro, o Tuchinha, e Alexander Mendes da Silva, o Polegar, ligados ao tráfico no Morro da Mangueira. Chiquinho foi acusado pelo tenente-coronel PM, Erir Ribeiro da Costa, ex-comandante do 4º Batalhão, de ter pedido uma trégua na repressão da PM ao tráfico da Mangueira.Os encontros com os presos, na penitenciária Bangu 3 teriam acontecido entre 1997 e 1999, ano em que Chiquinho se tornou subsecretário de Esportes. Hoje, a assessoria do Departamento do Sistema Penitenciário informou que os registros de visitas da unidade foram queimados em uma rebelião no ano passado. Silva, porém, disse que repetirá sua versão quando comparecer à Assembléia Legislativa (Alerj), que investiga o caso. A convocação dele e de outro agente, pedida pelo deputado Paulo Ramos (PDT), será votada amanhã, dia marcado para o depoimento do próprio Chiquinho.O agente penitenciário afirmou que o secretário e os traficantes se comportavam como amigos. "(Chiquinho) demonstrava grande grau de intimidade. Eram abraços, apertos de mão, sorrisos, tudo o que é normal numa amizade", disse ele. Silva contou ainda que, em 1998, Chiquinho levou um candidato a deputado estadual à unidade para pedir votos aos presos. A entrada do secretário na unidade infringia o regulamento, pois ele não era revistado nem credenciado. "Ele entrava com autorização do diretor, não seguia o padrão da visita comum. Mas o que ele fazia era mesmo visita aos amigos." O diretor de Bangu 3, na época, era Lafaiete Fragoso.O secretário admitiu ter visitado penitenciárias no período citado pelo agente, mas alegou que seu objetivo era implantar "projetos de ressocialização dos presos" por meio de esportes, a pedido das direções das unidades. Ele negou enfaticamente as visitas a Tuchinha e a Polegar. "Isso é mentira. O Lafaiete por várias vezes me solicitou ajuda. Eles fizeram pesquisas e o que os presos mais queriam eram atividades esportivas, principalmente futebol", afirmou Chiquinho. Para o secretário, as denúncias estão relacionadas à disputa pela prefeitura em 2004. "Estão preocupados com a eleição.?O deputado Paulo Ramos (PDT) considerou a alegação de Chiquinho uma "desculpa esfarrapada". "No PSB nunca se cogitou o nome de Chiquinho para prefeito. Chega até a ser uma gracinha. Cai no ridículo." Ramos classificou a admissão do secretário sobre as visitas ao presídio como uma "pré-confissão". "Isso tem que ser explicado. A relação dele com o tráfico já vem de mais tempo. Não é razoável que um secretário de Estado use programas sociais como biombo para esse tipo de convivência incestuosa", criticou.

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