Funcionário da Anac desmente Denise Abreu na CPI do Apagão

Ex-diretora diz que norma do site não tinha validade; gerente da agência conta que ela determinou publicação

Luciana Nunes Leal, do Estadão,

06 Setembro 2007 | 10h57

O gerente de Padrões de Avaliação de Aeronaves da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), comandante Gilberto Schittini, desmentiu nesta quinta-feira, 6, a ex-diretora da Anac em depoimento à CPI do Apagão Aéreo da Câmara. Schittini é o autor da Instrução Suplementar 121-189, da Anac, que causou polêmica quando foi enviada à Justiça de São Paulo e fundamentou a decisão da desembargadora Cecília Marcondes de liberar a pista principal de Congonhas para pouso de grandes aviões.   Segundo Schittini, o documento era claro quando determinava que o pouso em pista molhada exigia os dois reversos operantes. Na interpretação da ex-diretora da Anac Denise Abreu, o documento, ao contrário, permitia o pouso com um único reverso.   Denise Abreu sustentou, enquanto estava na diretoria, que a IS 121-189 era apenas um "estudo interno" que foi divulgado no site da Anac, no dia 31 de janeiro, por engano. Schittini, no entanto, diz que a veiculação no site foi uma determinação da ex-diretora e que, ao ser incluído na página da Anac, o documento ganhou valor de norma a ser cumprida pelas empresas.   "No dia 31 de janeiro, mesmo sem estar finalizado, o documento foi veiculado no site, na primeira página, de forma fácil de ser encontrado. Já estava no site, deveria ser seguido", afirmou o gerente à CPI.   Acidente da TAM   Schittini afirmou que o Airbus A320 da TAM que explodiu no dia 17 de julho não deveria ter pousado na pista molhada do Aeroporto de Congonhas, porque tinha um dos dois reversos (freios localizados nas turbinas) travado.   Segundo ele, o avião deveria ter pousado "em pista seca, ou em pista molhada comprida, como a de Guarulhos, e não em pista curta, como a de Congonhas." O gerente da Anac afirmou também que "aquele cenário não deveria ter ocorrido." No acidente da TAM, 199 pessoas morreram, após o Airbus não conseguir pousar no aeroporto e se chocar com o prédio da TAM Express.   Schittini não quis avaliar, no entanto, se o pouso do Airbus foi ou não fator determinante para o acidente. Disse que prefere aguardar o resultado da apuração que está sendo feita pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

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