Funcionário de Santa Casa se responsabiliza por ossadas no Rio

Um funcionário da Santa Casa de Misericórdia responsabilizou-se pelo aparecimento em fevereiro de mais de 200 ossadas no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Jovando Adriano dos Santos apresentou-se espontaneamente na 59.ª Delegacia de Polícia (Caxias), acompanhado por um advogado da Santa Casa, e foi indiciado por vilipêndio de cadáver, crime cuja pena varia de um a três anos.O funcionário era o responsável pelo ossário do Cemitério do Caju, um dos maiores do Rio de Janeiro. No ossário ficam guardados as ossadas exumadas após três anos de sepultamento. De acordo com Santos, uma enxurrada derrubou o portão da sala e fez com que os ossos ficassem espalhados pelo cemitério.O funcionário, então, decidiu ensacá-las e jogá-las no lixo para não ser punido. Ele disse ainda que estava bêbado, quando tomou a decisão.O provedor da Santa Casa de Misericórdia, Dahas Zarur, foi procurado pelo Estado para comentar o desfecho do caso. A secretária informou que ele estava em Brasília.A 59.ª DP remeteu o inquérito para a 3.ª Central de Inquéritos do Ministério Público Estadual. Os promotores devolveram o documento, pedindo novas diligências à polícia. Os promotores querem que sejam levantadas as exumações nos últimos seis meses em 13 cemitérios diferentes, a fim de que seja possível identificar as ossadas. E pediram mais explicações sobre os motivos de os ossos terem sido despejados no lixo. O delegado Nerval Goulart, responsável pelo inquérito, não foi encontrado nesta segunda para comentar o caso.As ossadas foram encontradas no lixão de Gramacho em 20 de fevereiro por funcionários da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb), que administra o aterro sanitário. As ossadas estavam ensacadas. Duas delas tinham próteses e marca-passo, que permitiram a identificação dos corpos e o cemitério de onde foram retiradas.

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