Funcionários assassinaram casal e filhas em Americana

Motorista, sua mulher e mecânico serão indiciados; motivo dos homicídios foi dívida de R$ 16 mil

Rose Mary de Souza, O Estadao de S.Paulo

28 de janeiro de 2009 | 00h00

A Polícia Civil em Americana, a 128 quilômetros de São Paulo, apresentou ontem dois funcionários e a mulher de um deles como responsáveis pelo assassinato do casal Robson Douglas Tempesta, de 39 anos, e Ana Paula Duca Tempesta, de 31, e de suas duas filhas, Laura, de 1 ano e meio, e Camila, de 8 anos, no dia 14. Segundo a polícia, o motorista Celso Pereira de Assis, de 34 anos, funcionário de Tempesta, confessou ser o autor dos 18 disparos de pistola 380 contra o casal. Também foram presos o mecânico Bruno Magrini Palumbo, de 25 anos - outro funcionário de Tempesta na empresa Big Foot, de shows e eventos com carros -, e Fabiane dos Santos, de 30, mulher do motorista Assis. "O motorista confessou ter atirado contra o casal, mas nega ter matado as duas crianças", disse o delegado Cláudio Eduardo Navarro, da Delegacia de Investigações Gerais de Americana.Os corpos das duas filhas do casal Tempesta foram encontrados um dia após a morte dos pais, numa vala às margens da Rodovia do Açúcar (SP-75), no limite com o município de Elias Fausto, a cerca de 60 quilômetros de Americana. Segundo a perícia, as meninas foram mortas por asfixia.Em depoimento, o mecânico Palumbo disse que Assis teria asfixiado as meninas com uma fita utilizada para lacrar bagagem em aeroportos, nos fundos da casa do motorista, em Campinas, cerca de seis horas após o assassinato do casal. "O mecânico disse que a ideia de eliminar as meninas foi de Celso, que temia que elas os ligassem à morte dos pais", afirmou o delegado. "Elas foram levadas ainda sonolentas da casa onde ocorreu o crime, não sabiam que os pais tinham morrido."Segundo o delegado, Assis afirmou que o empresário devia a ele R$ 16 mil, valor investido num evento que a empresa patrocinaria, mas que acabou não acontecendo. "A polícia imaginava que poderia ser vingança, pois o empresário tinha muitas dívidas. O escritório da empresa tinha quatro meses de aluguel não pagos e dividas com fornecedores."TESTEMUNHA-CHAVESegundo o delegado, a polícia chegou aos funcionários de Tempesta - que, no início das investigações foram ouvidos como testemunhas - após ouvir um segurança, que afirmou ter visto duas pessoas saindo com o carro da casa onde houve o crime. "O segurança foi testemunha-chave na investigação."A polícia trabalha com a hipótese de que apenas uma pessoa realizou os disparos, mas aguarda exames da perícia para reconstituir o crime. A arma utilizada não foi encontrada. Assis será indiciado por homicídio qualificado pelas quatro vítimas. Palumbo e a mulher de Assis, Fabiane, serão indiciados por duplo homicídio.As investigações tiveram a participação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa(DHPP) da capital, por orientação do secretário de Segurança Pública do Estado, Ronaldo Marzagão, que esteve em Americana no fim de semana.

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