''Funcionários'' da facção recebiam até R$ 20 mil

Os dois principais gerentes do PCC na região de São Bernardo do Campo eram funcionários contratados pela facção criminosa. A exemplo dos advogados integrantes do "departamento jurídico" do PCC, os bandidos que lideravam o "tribunal" da facção e controlavam a venda de drogas recebiam de R$ 10 mil a R$ 20 mil por mês. Entre as tarefas de Renato Kauffman da Costa e Paulo Freire da Silva estava arregimentar assaltantes obrigados a roubar para a facção. "Eles resolveram expandir os negócios e diversificá-los", afirmou o delegado Marco Antônio Paula Santos. Para ele, os investimentos do PCC em roubos ajuda a explicar o crescimento desse tipo de crime na região. A estratégia obedece a duas lógicas. A primeira é obrigar presos do regime semi-aberto a roubar para a facção. A outra é contratar bandidos que serão representantes do crime organizado em grandes roubos praticados no Estado. O bandido que faz um grande assalto sem a autorização do PCC corre o risco de ter a sua sentença de morte decretada pela facção criminosa. A fim de se "proteger", o PCC estaria até mesmo investigando crimes praticados contra seus integrantes. Em uma interceptação telefônica feita pela polícia, o preso Marcelo Rossinholli, que comandava a empresa de ônibus da facção, foi flagrado ameaçando pequenos ladrões que haviam invadido a garagem da transportadora e furtado tacógrafos dos ônibus. Os rapazes foram "detidos" pelo PCC e obrigados a participar de um "debate" com a facção. "Vocês não estão roubando qualquer um. Isso aí não é meu, é do partido, é do comando", disse Rossinholi. Ele conclui a conversa com uma advertência aos ladrões. "E roubar o comando é xeque-mate."

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