Funcionários da Febem trabalham 40 horas seguidas

Os 34 funcionários afastados da unidade 31 da Febem de Franco da Rocha na semana passada, por causa de denúncias de facilitação e incitação à rebelião ocorrida no dia 12, estão sendo substituídos por outros servidores da unidade, que chegam a trabalhar 40 horas seguidas, sem rendição.Segundo um coordenador de monitores, que não quis se identificar, apesar da determinação da entidade para que funcionários não façam horas extras, a unidade não recebeu nenhum substituto. "Estamos virando 40 horas seguidas. Como é que vamos ter ou garantir segurança aqui?", disse.Ao determinar o afastamento, a presidência da Febem assegurou que os servidores seriam substituídos por trabalhadores de outras unidades da capital. "Mas isso não ocorreu. Nem funcionário concursado foi chamado", revelou o monitor.A informação foi confirmada por um agente da segurança. "Eles estão exaustos. Estão virando direto", afirmou. Uma hora antes de iniciar o turno da noite na unidade 31, o coordenador resolveu observar, do lado de fora, o comportamento dos internos nesta terça. Com os olhos vermelhos, aparentando cansaço, ele confirmou que funcionários faziam horas extras em excesso antes da suspensão do benefício pela Febem. Entretanto, isso mudou na unidade depois do afastamento dos servidores que estavam de plantão na rebelião do dia 12.Apesar de não revelar quanto chegava a ganhar com as horas extras, o funcionário disse que o salário, de R$ 1.300,00, "sofria um bom acréscimo". "A ordem do governo era acabar. Só que com o afastamento dos 34 estamos trabalhando demais."De acordo com outro funcionário, os internos das unidades 30 e 31 estão trancados desde o dia da última rebelião na unidade 31, quando materiais para atividades pedagógicas, televisão e camas foram destruídos. Não fazem atividades nem vão ao pátio. "Isso tudo aumenta a tensão, eles não têm o que fazer."Em dias normais, as refeições são servidas no refeitório. Até o horário do jantar de ontem, estavam recebendo os alimentos no "x" - cela, para evitar o contato com os jovens. A medida é uma forma de "acalmar" os internos, segundo um vigia. Para o monitor, isso quer dizer que as duas unidades estão "dominadas".Nesta terça-feira, à medida que se aproximava o horário do jantar, aumentava a agitação dos internos. Eles assoviavam e chutavam as grades. "Pode estourar outra rebelião a qualquer momento", afirmou o monitor.O presidente do sindicato dos trabalhadores da Febem, Antônio Gilberto da Silva, disse que ainda não foi informado sobre possíveis remanejamentos de funcionários para o complexo. "É possível que os trabalhadores ainda sejam submetidos a essas condições de trabalho", disse.Segundo a assessoria de imprensa da Febem, a unidade de Franco da Rocha está trabalhando com equipes cedidas por outras unidades, em esquema de revezamento. A instituição confirma, entretanto, que em alguns casos pode haver funcionário que precise estender os horários.

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