Funcionários do Blue Tree são indiciados pela morte de criança

Cinco funcionários que trabalhavam no antigo resort de luxo Blue Tree Park, no município metropolitano do Cabo de Santo Agostinho, no litoral sul do Recife, foram indiciados nesta terça-feira, 10, por homicídio culposo, pela morte de uma criança de nove anos, por intoxicação alimentar. Bruna de Oliveira acompanhava os pais no II Congresso Estadual de Magistrados de Pernambuco, realizado naquele hotel, de 3 a 6 de novembro de 2005. Cerca de 100 das 600 pessoas presentes ao evento passaram mal. Bruna começou a ter febre ainda durante o congresso, depois passou a ter vômitos e diarréia. Exames de sangue realizados no hospital em que a menina foi internada, revelou a presença da bactéria streptococus pyogenes grupo A, um dos agentes responsáveis pela Síndrome do Choque Tóxico - caracterizada por queda da pressão sanguínea provocada por toxina liberada pela bactéria. Bruna morreu no dia 7 de setembro de infecção generalizada pós-gastroenterite. Ronaldo Ferreira Fernandes, Cristiano Lins Lopes, Jacinto Antonio Guerreiro da Silva, Adriana Luna Farias e Jadir Antonio de Farias, que ocupavam respectivamente os cargos de gerente-geral, gerente de controladoria, gerente de alimentos e bebidas, nutricionista e chefe de cozinha do resort poderão pagar penas de um a três anos de prisão, se condenados.O inquérito policial, presidido pelo delegado do Cabo de Santo Agostinho, Alberes Félix, considerou que houve negligência, imprudência e irresponsabilidade dos indiciados, tendo averiguado falta de controle da temperatura da câmara frigorífica e espaço pequeno para a quantidade de alimentos preparados e número de funcionários, entre outras irregularidades. O inquérito deverá ser enviado ainda nesta terça ao juiz da 2ª Vara Criminal do Cabo.Nota oficial Em nota oficial à imprensa, a rede Blue Tree Hotels informou que apóia e está dando assistência jurídica aos indiciados e só irá se manifestar quando tiver acesso a todos os documentos e laudos do relatório da polícia civil, o que ocorrerá se houver a denúncia pelo Ministério Público. "É importante salientar que o relatório da Polícia Civil é resultado preliminar das investigações e que passará ainda pela análise do Ministério Público", diz a nota, ao destacar que a rede hoteleira "sempre colaborou de forma incondicional com as autoridades na investigação e mantém seus esforços para esclarecer o ocorrido, dentro do espírito de responsabilidade, comprometimento com a saúde de seus hóspedes e qualidade dos serviços que presta há mais de 14 anos".A família de Bruna Oliveira irá entrar com ação indenizatória contra os responsáveis pelo resort.Atualmente em reforma, o resort deverá ser reaberto ainda neste mês, sob nova bandeira.

Agencia Estado,

10 de outubro de 2006 | 14h58

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