Funcionários do IML choram ao receber parentes das vítimas

Quatro parentes de vítimas do acidente com Airbus da TAM tiveram a coragem de acompanhar ontem o trabalho dos legistas do Instituto Médico-Legal (IML) para identificar os restos mortais. Dario Scott, Jaqueline Smith, Elizete Ferraz e Marcelo Rudnick entraram em todas as salas do instituto, inclusive no necrotério. Apesar das imagens chocantes, encontraram algum conforto para a dor que têm sentido. "Não sei dizer como, mas não chorei uma lágrima", afirmou Scott, que perdeu a única filha, Thaís. "Senti paz ao saber que estão fazendo todo o possível." Os peritos também se emocionaram. "Quando entrei, todos os funcionários choraram", disse Jaqueline. "Parecia que tínhamos trocado de papéis." Irmã do engenheiro Edmundo Smith, que estava no vôo, disse que não ficou chocada com o que viu. "O que me impressionou foram pessoas chorando a minha dor enquanto eu fiscalizava o trabalho deles." Um dos objetivos da vistoria foi acabar com a angústia das famílias que não sabem o que acontece no IML. "Ontem não consegui dormir ao imaginar minha filha jogada em um frigorífico", disse Scott. "Decidi ir lá para ver que ela não estava largada. Tirei um peso de mim." O grupo negou que faltassem funcionários e equipamentos no instituto e que os restos mortais fossem tratados com descaso, como havia sido denunciado. Esses tinham sido os principais motivos para a criação da comissão de familiares. "Posso dizer, em nome da comissão, que isso não procede. Todos estão sendo tratados com o maior respeito", afirmou Scott. Ontem, o número de vítimas reconhecidas chegou a 72 com a identificação de Edmundo Smith, Elaine Tavares da Silva, Fabiola Kofreitag, Fernando Marques de Jesus, Mirtes Tomie Suda e Zenilda Otília dos Santos. Foram coletadas mais 22 amostras de sangue de parentes, totalizando 144. Um atraso no vôo adiou a chegada de peritos gaúchos que apoiarão o trabalho do IML. O vôo deveria descer em Congonhas às 14 horas, mas os especialistas do Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul só chegaram às 18 horas. Eles começam a trabalhar hoje, quando também devem chegar especialistas do Amazonas. O IML convidou os peritos a colaborar após reunião com famílias das vítimas ainda não identificadas. Anteontem, a polícia devolveu o RG de Arlene Riegel Colares, de 47 anos, encontrado nos escombros. Ela havia esquecido o documento no balcão da TAM Express dois dias antes do acidente. A polícia esclareceu que não a considerava desaparecida, pois nenhum parente havia registrado ocorrência. BUSCAS A suspensão temporária das buscas para que os bombeiros retirassem duas lajes do prédio da TAM Express permitiu que o comando do Corpo de Bombeiros promovesse ontem um curso de resgate em situações semelhantes ao do desastre do Airbus. Vinte bombeiros fizeram o curso e 30 trabalharam na retirada das lajes. Hoje de manhã as buscas seriam retomadas.

Felipe Grandin, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2025 | 00h00

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