Funcionários e passageiros se agridem nos aeroportos

No sétimo dia de caos nos aeroportos do País provocado pela "operação-padrão" dos controladores, os saguões dos terminais continuavam cheios de passageiros no final da manhã desta quinta-feira. Policiais militares foram deslocados para alguns aeroportos depois que passageiros e funcionários se agrediram em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em Brasília, policiais também foram chamados para fazer a segurança externa do aeroporto de Brasília.A polícia chegou ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, por volta das 6h desta quinta-feira para proteger os funcionários da Gol da "fúria" dos passageiros. Os policiais fizeram um cordão de isolamento, se posicionando entre os funcionários e o guichê de atendimento.O saguão de Cumbica ficou lotado durante toda a manhã desta quinta-feira. De acordo com alguns passageiros, dezenas de pessoas dormiram no aeroporto, sem comida ou sem atendimento das companhias aéreas. Algumas passageiros aguardam pelo embarque por até 12 horas.Em Cumbica, a informação é de que havia pelo menos 93 vôos atrasados no final da manhã, sendo 59 domésticos e 34 internacionais, porém a Infraero não confirmou os números. No painel do aeroporto, as informações eram de que apenas seis decolagens estavam fora do horário.Rio de JaneiroO saguão do terminal 1 do Aeroporto Antonio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, continuou lotado na manhã desta quinta-feira, mas com a presença da Polícia Militar, os passageiros foram retirados da área interna de check-in da Gol, reservada a funcionários. Os empregados da companhia tentavam repassar a todos os passageiros as informações que recebiam, mas muita gente ainda estava insatisfeita. "A gente tenta ajudar da melhor forma possível, mas está todo mundo nervoso. É um caos", desabafou um dos funcionários da Gol. No Aeroporto Antonio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, o secretário-chefe do gabinete da governadora Rosinha Matheus, Fernando Pelegrino, está entre os passageiros que ainda não conseguiram nem mesmo um cartão de embarque e está desapontado. "Embarcaria para Recife às 8h50 para participar da festa de aniversário de 60 anos do meu irmão", contou Peregrino, que aproveitou o tempo ocioso para baixar e-mails no seu laptop.O vôo de Pelegrino estava marcado para as 8h50 desta quinta-feira, mas até às 11h não teve qualquer informação sobre a decolagem. A modelo Lívia Lemos, que partiria às 3h30 para Porto Alegre, contou que ficou assustada ao presenciar a confusão ocorrida por volta das 5h. "As pessoas queriam bater nos funcionários. Nada justifica isso", disse Lívia, que às 10h recebeu a notícia de que seu vôo poderia sair às 14h desta quinta-feira. Ela disse que viu muitas pessoas com crianças e também acompanhou a aflição de uma mulher que passava mal. "Ela dizia que estava passando mal do coração e que ia morrer", contou.No Aeroporto Santos Dumont, de onde partem vôos da Ponte Aérea Rio-São Paulo, não há atrasos, informou a Infraero.BrasíliaA Infraero informou, por volta do meio-dia, que desde a zero hora desta quinta-feira foram registrados no aeroporto 22 atrasos em vôos que chegaram à capital federal e seis cancelamentos. Já nas partidas de Brasília, foram 21 atrasos e cinco cancelamentos de vôos. De acordo com a Infraero, o tempo médio de atraso era de uma a duas horas. Com o aumento de passageiros devido ao feriado de Finados, o aeroporto de Brasília viveu uma situação caótica. Segundo informações da segurança do aeroporto, tumultos ocorreram ao longo de toda madrugada.Não houve quebra-quebra e nem feridos, mas o clima foi tenso, com muito bate-boca entre os passageiros irritados com o atraso e os funcionários das empresas áreas e da Infraero. "Onde tinha passageiros, havia confusão", disse um policial que preferiu não se identificar. A situação não ficou mais tensa porque alguns passageiros apartaram as discussões e as equipes de segurança do aeroporto agiram para evitar o agravamento da situação.Segundo informações da Infraero, da zero hora de hoje até há pouco, cerca de 20 vôos apresentaram atraso. Além disso, cinco vôos foram cancelados, sendo que o atraso médio chegou a duas horas.Até Heloísa HelenaA senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) passou toda a madrugada no aeroporto de Brasília a espera do vôo da Gol para Maceió. Segundo ela, alguns passageiros desmaiaram devido à tensão. "Só não teve quebra-quebra porque alguns passageiros tentaram acalmar a situação e a polícia militar agiu com paciência", disse a senadora. Bastante cansada e com tosse, a senadora só conseguiu embarcar depois de esperar desde às 18h de quarta-feira. Heloísa Helena chegou a adquirir mais dois bilhetes - um da Gol e outro da TAM, para tentar chegar a Maceió ou voar para Salvador, de onde pegaria um ônibus para a capital alogoana. A senadora culpou o governo pelo caos nos aeroportos. "Se quiser, o governo pode resolver o problema fazendo contratações temporárias e atendendo às reivindicações justas dos operadoras de vôo. Mais uma vez o governo Lula demonstra a sua irresponsabilidade", criticou. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, também foi outra vítima do atraso dos vôos. Em Brasília, uma passageira passou mal durante a manhã e teve que ser atendida por um médico de uma seleção de futebol que esperava para embarcar.Espírito SantoOs atrasos nos vôos também provocaram transtornos no Aeroporto de Vitória, no Espírito Santo. Os passageiros tinham de enfrentar até 14 horas de espera. A noite de quarta-feira foi tumultuada, com muitas reclamações, filas e pessoas dormindo sentadas ou deitadas no chão.Diversos vôos estavam atrasados ou foram cancelados. As pessoas reclamavam da falta de informação, de alimentação, transporte, hospedagem e de ligações telefônicas. Os hotéis de Vitória enfrentaram dificuldades por causa da crise no transporte aéreo. Reservas foram canceladas e os quartos permaneciam vagos à espera de hóspedes retidos nos aeroportos.ManausNo Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, um vôo foi cancelado e dois atrasaram durante a madrugada. O vôo 1704 da Gol, que deveria partir às 12h20 desta quinta-feira de Manaus para Brasília primeiro foi remarcado para as 4h15 e, às 4 horas, foi cancelado.De acordo com a assessoria da Infraero, os passageiros foram remanejados pela Gol para embarcarem em vôos de outras companhias aéreas durante o dia. O Gol 1783, de Manaus para Boa Vista, com aterrissagem prevista para às 12h50 só decolou às 7h40. Às 5h35 da manhã, o Gol 1938, vindo de São Paulo, aterrissou em Manaus, com um atraso de duas horas do horário previsto.Esta matéria foi alterada às 12h29 para acréscimo de informações.

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