Funcionários nos guichês sugerem: ''''Vá de ônibus''''

Companhias negam ter dado essa orientação, mas Rodoviária do Tietê lotou com o caos em Congonhas

O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2025 | 00h00

"Se não quer tumulto, minha senhora, vá de ônibus." Foi essa a resposta atípica que a advogada Lorena Gröot, de 31 anos, ouviu ontem de uma atendente no guichê da Gol, no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, ao reclamar do atraso de seu vôo para Porto Seguro (BA). O empresário catarinense Renato Kuchenbecher, que foi apressado de Cumbica até Congonhas pegar uma conexão, recebeu o mesmo conselho no guichê da TAM, ao saber que o vôo havia sido cancelado. "Me recomendaram procurar a rodoviária. Deram até o telefone", disse. Os dois não sabiam se seguiriam os conselhos, mas o Terminal Rodoviário do Tietê, na zona norte da capital, acabou absorvendo muitos passageiros que fugiam ao caos nos aeroportos. Segundo a Assessoria de Imprensa da Gol, entre as medidas anunciadas ontem para evitar transtornos nos aeroportos não está o conselho de trocar o transporte aéreo pelo rodoviário - o caso de ontem teria sido isolado. Já a Assessoria da TAM negou que seja praxe aconselhar passageiros a procurar a rodoviária e informou que tem acomodado em hotéis os clientes que perdem conexões. Mas, em caso de urgência, não pode fazer nada a não ser devolver o valor da passagem e orientar que a pessoa viaje de ônibus. No Terminal Rodoviário do Tietê, muitos passageiros que tinham como destino o Rio ou Curitiba desistiram de esperar pelo fim do caos e resolveram encarar viagens de ônibus. A justificativa é simples: cinco ou oito horas de estrada contra vários dias de expectativa e nervosismo para levantar vôo. A média de usuários na rodoviária subiu de 90 mil para 120 mil por dia (além da crise aérea, esse aumento se deve às férias escolares e aos Jogos Pan-Americanos, no Rio). As empresas de ônibus comemoram um aumento de 35% na venda de passagens para Curitiba e de 15% para o Rio. Por volta das 13 horas, um ônibus da Viação 1001 que seguia para Curitiba tinha 80% dos seus assentos ocupados pelos "órfãos" de Congonhas. Os "sem-vôo" eram tantos que a analista financeira Flávia Assunção, de 27 anos, nem estranhou a mudança radical de transporte. Assim como costuma fazer quando está dentro de uma aeronave, ela tirou seu laptop da mala e começou a trabalhar tranqüilamente. A empresa 1001 registrou aumento de 35% nas vendas de passagens para o Rio só na última semana. Já a Viação Itapemirim registrou desde o incidente com a TAM, em São Paulo, um incremento de 10% a 15% nas viagens para destinos como Rio, Curitiba e cidades do Espírito Santo e de Minas. "Diferente do caso da Gol e dos atrasos que vieram em seguida, o acidente da TAM provocou reação imediata do usuário aéreo e da sociedade como um todo, pela proporção que teve e pelo fato de ter ocorrido no meio de São Paulo", afirmou o superintendente da Itapemirim, Ronaldo Fassarella.

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