Funcionários que recebiam pizza para presos são afastados

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afastou um delegado-assistente e dois carcereiros, cujos nomes não foram divulgados, da Cadeia de Vila Branca, de Ribeirão Preto, ontem à noite, após a divulgação de que presos estariam negociando drogas e até pizzas por telefones celulares de dentro de presídios no interior. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.Hoje a polícia de Ribeirão Preto descobriu mais duas centrais telefônicas clandestinas usadas para comunicações entre presos. E a Justiça local se mobiliza para investigar outras denúncias de que presos do mesmo local, conhecido por eles próprios como "cadeia de chocolate", tinham regalias até dentro do Fórum.A repercussão da desativação de uma central telefônica, ocorrida no dia 17, no Jardim Branca Salles, em Ribeirão Preto, feita pela polícia de Franca, causou um alvoroço na cidade. O delegado seccional, José Manuel de Oliveira, não havia sido informado oficialmente sobre os afastamentos dos funcionários da cadeia. Paralelamente, o juiz Corregedor dos Presídios, Luiz Augusto Freire Teotônio, instaurou ontem uma sindicância para apurar denúncias de um PM e de um funcionário da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) de que presos de Vila Branca teriam fumado maconha e usado telefones celulares na carceragem do Fórum, enquanto aguardavam as audiências.O promotor Criminal, Luiz Henrique Pacini Costa, que acumula interinamente a Infância e Juventude, disse que, há duas semanas, um menor foi detido ao lado da Cadeia de Vila Branca com R$ 480,00. Ele acabara de entregar 56 gramas de maconha a dois presos do regime semi-aberto. O menor foi para a Febem e os detentos foram indiciados por tráfico. Na segunda-feira passada, um funcionário da Febem, que faz escolta dos internos até o Fórum, reclamou a Costa da postura dos presos de Vila Branca, que eram vigiados precariamente, fumavam maconha e usavam celular na carceragem do local. Depois, o promotor ouviu de um PM, que faz escolta de detentos da Penitenciária e do Centro de Detenção Provisória (CDP), que ele havia notado essa regalia aos presos de Vila Branca, que deveria ter sido desativada em 2000. Ela seria reformada e transformada em presídio feminino."O risco é imenso de fugas e até para dos próprios funcionários da cadeia e esse fato é grave", comenta Costa. "A estrutura é precária e o número de funcionários é pequeno, por isso é necessário ter o mínimo de segurança." O próprio promotor, juízes, delegados e policiais já foram ameaçados de morte por bandidos. O Fórum, inclusive, já sofreu algumas ameaças de bombas e a direção fechou uma rua para evitar tráfego intenso. Outra medida que deverá ser tomada é colocar uma porta única e com detector de metais. Mas a direção busca recursos com a iniciativa privada, pois não há verba para isso.Na manhã de hoje, após denúncia anônima, uma central telefônica clandestina foi descoberta no Jardim Jandaia. Duas mulheres, que têm namorados presos, foram detidas. Uma conta de mais de R$ 3,5 mil foi encontrada ao lado de uma agenda, um telefone fixo e um celular. À tarde, outra central foi descoberta e desativada num apartamento do bairro João Rossi, um complexo construído pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), na área próxima ao RibeirãoShopping. Três mulheres foram detidas.

Agencia Estado,

24 de julho de 2002 | 16h47

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