Fundação Casa irrita vizinhos na zona sul

Moradores do Alto da Boa Vista querem barrar a abertura de unidade de semiliberdade; ainda não há previsão de início das atividades

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

04 Julho 2009 | 00h00

Um sobrado alto e bege, como tantos outros do Alto da Boa Vista, bairro residencial de alto padrão na zona sul de São Paulo, se transformou num centro de discórdia entre os moradores. Então discreta e até irrelevante, a casa vai virar, até o fim do ano, uma unidade de semiliberdade da Fundação Casa, antiga Febem. Cerca de 20 jovens, de 14 a 21 anos, serão atendidos no número 93 da Rua Nundiaú - o local passa por reformas, mas a entidade não fixou data para o início das atividades. Os moradores do Alto da Boa Vista, no entanto, já marcaram reuniões com secretários, vereadores e políticos dos mais diversos níveis de importância, tudo para tentar brecar a inauguração. Segundo eles, que medem as palavras para não citar algo que possa parecer discriminação, o problema não seria só a presença da jovens infratores, mas o fato de a região ser estritamente residencial - e uma unidade de semiliberdade da Fundação Casa poderia virar um precedente oficial, com carimbo da Prefeitura e do governo estadual, para o início da especulação imobiliária. "Um aparelho desses não condiz com o Alto da Boa Vista e causa um problema social para o bairro", diz Guilherme Rodrigues Alves, presidente da Associação dos Amigos do Bairro do Alto da Boa Vista (Sababv). "Seria muito melhor instalar uma unidade como essa num bairro mais popular, onde os jovens podem ficar próximos de suas famílias." A Fundação Casa tem 25 unidades de semiliberdade no Estado - 13 na capital. Nelas, os adolescentes apenas dormem no imóvel - durante o dia, são encaminhados para cursos, escola formal e, conforme o caso, trabalham. Segundo a assessoria da entidade, "a semiliberdade deve ser priorizada, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente e com o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, ficando a medida socioeducativa de internação destinada apenas a adolescentes autores de atos infracionais graves, cometidos sob violência ou grave ameaça". Procurada, a Secretaria de Coordenação de Subprefeituras informou que o imóvel está na lista do pedido de anistia e a licença de funcionamento foi expedida antes da Lei de Zoneamento - o que, por ora, autoriza a inauguração, pelo menos até que se aprecie a anistia.

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