''Fundador'' do Galo desfila como boneco

Enéas Freire foi homenageado

, O Estadao de S.Paulo

25 Fevereiro 2009 | 00h00

O boneco gigante de Enéas Freire, fundador do maior bloco de carnaval do mundo, o Galo da Madrugada, morto no ano passado, abriu o vigésimo-segundo encontro de bonecos gigantes de Olinda, no final da manhã de ontem, com uma novidade. Ao contrário dos mais de 700 bonecos confeccionados ao longo de 35 anos por Silvio Botelho, organizador do evento, este não tem os braços longos e soltos. O boneco que retrata Enéas tem braços imóveis, para cima, como se cumprimentasse a multidão. Cento e vinte bonecões desfilaram ao som de quatro orquestras de frevo pelas ruas da cidade.Segundo Botelho, este é o começo de inovações que ele pretende fazer na estrutura dos gigantes, que continuam com altura em torno de 3,5 metros, e mantêm a principal característica: os contagiantes sorrisos. Feitos com papel, isopor e madeira, pesam até 35 quilos.Eles começaram a chegar à concentração do encontro, no Largo do Guadalupe, às 7 horas. Saíram, em fila indiana, por volta das 11h30, com queima de fogos e tendo como abre-alas "bonecos de vara" (com grandes cabeças, mas sem corpo, carregados como estandartes, retratando palhaços e personagens do maracatu rural). Cerca de 60 passistas de frevo deram ainda mais brilho ao desfile que contou com gigantes que retratam personagens pernambucanos como os compositores Capiba e Nélson Ferreira, Nascimento do Passo, a cirandeira Lia de Itamaracá, o sociólogo e escritor Gilberto Freyre, além de papangus e figuras do carnaval olindense.Todos eles foram "batizados" com uma chuva de papel picado, ainda na concentração, quando se enfileiraram numa rua lateral, onde mora Moisés Silvino de Abreu, de 81 anos. Há 17 anos, ele passa o ano inteiro picando papel. Durante o carnaval, Moisés participa da festa jogando o confete nos foliões. Esta foi a forma que encontrou para trazer as agremiações à sua rua. "Essa é a minha alegria, a minha diversão e a minha ocupação", afirmou.Para chegar à prefeitura, num percurso de menos de 2 km, os gigantes levaram cerca de três horas, sob sol forte, enfrentando ruas coalhadas de gente e também troças que animavam a multidão.A festa de Olinda continua hoje, com a saída do Bacalhau do Batata, entre outras agremiações que insistem em prolongar o carnaval.

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