Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Fundadores apontam o PSD como 3ª maior sigla

Primeiras fichas de filiação foram assinadas; para Kassab, bancada vai superar o PSDB

Iuri Pitta, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2011 | 00h00

Faltam o registro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o reconhecimento de 490 mil assinaturas, mas o PSD já é considerado partido de fato por seus fundadores, que assinaram ontem, em São Paulo, as primeiras fichas de filiação e anunciaram ser a "terceira maior força política do País". O raciocínio leva em conta o tamanho da bancada da Câmara dos Deputados: 44 parlamentares exercendo o cargo e 4 ocupando secretarias estaduais, segundo o prefeito de São Paulo e presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab.

Hoje, o PSDB é a terceira maior bancada da Câmara, com 53 deputados, atrás de PT (86) e PMDB (80). Ou seja, para superar os tucanos, Kassab teria de atrair parlamentares do PSDB para seu novo partido.

Ontem, depois de assinar sua própria ficha de filiação e celebrar o nascimento do PSD, o prefeito mostrou otimismo. "Nós temos a expectativa de que, nos próximos dias, tenhamos a adesão de alguns outros deputados federais, podendo, portanto, ultrapassar 50 (parlamentares)."

Centro. Atrás do palco do pequeno auditório do Edifício Praça da Bandeira - o antigo Joelma -, o PSD aparecia em um logotipo com as cores da bandeira nacional e em letras minúsculas que, se invertidas, mantinham a mesma forma. Para Kassab, é a melhor imagem do que será a nova sigla. "Podem virar de ponta-cabeça, de lado, podem jogar para cima ou para baixo. Seremos e somos de centro", disse o prefeito. Questionado se o logotipo era definitivo, Kassab afirmou que "pode mudar, se surgir ideia melhor".

Primeiro a assinar a ficha de filiação ao PSD, o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, disse que o partido "mexeu com as placas tectônicas da política brasileira". Em discurso, ele chegou a citar reportagem do Jornal Nacional sobre nomes de mortos incluídos nos abaixo-assinados para a criação do PSD em Tocantins, Estado da senadora Kátia Abreu - ela e o senador Sérgio Petecão (AC) aderiram à nova legenda.

"Aquilo foi armado. Eles não querem que o nascimento do partido antes de 7 de outubro", afirmou Afif, citando o prazo limite para a filiação partidária de candidatos a prefeito e vereador em 2012. "Não são democratas. Estão mais afinados com a ditadura que com a democracia", atacou o vice-governador.

Em Brasília, o líder do DEM na Câmara, Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), acusou Kassab de "criar um factoide" ao comemorar o registro do PSD em dez Estados. "Ele quer criar um fato consumado aproveitando-se do desconhecimento de parte das pessoas", criticou. "Eles cumpriram uma parte da obrigação, ainda estão devendo 300 mil assinaturas", completou o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO).

A criação de um partido exige etapas como o reconhecimento em um terço das 27 unidades federativas - na quinta-feira, o PSD anunciou ter obtido dez registros estaduais - e assinaturas certificadas de 490 mil eleitores em todo o País. O partido informou ter enviado cerca de 600 mil assinaturas ao TSE.

Para o DEM, legenda mais prejudicada com a evasão de filiados, não haverá tempo hábil para que o TSE registre o partido antes de 7 de outubro. Tanto ACM Neto quanto Demóstenes lembraram os questionamentos na Justiça Eleitoral contra o registro e as denúncias de fraude e irregularidades nas coletas de assinaturas pelos Estados. "O PSD está buscando é o juízo final, quando os mortos ressuscitarão para dar o aval a suas assinaturas", ironizou o senador.

Ontem, Kassab quis demonstrar que essas críticas são passado. Para o prefeito, falta a certidão de nascimento, mas já foi dada à luz sua maior criação política em quase 20 anos desde sua estreia nas urnas. / COLABOROU ANDREA JUBÉ VIANNA

Adesões

44 é o número de deputados no exercício do mandato que terá a bancada do PSD, segundo o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Outros quatro são secretários estaduais

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